13 dezembro 2011

Minha contribuição à Pátria!



No início de 1979, como sabem meus leitores, prestei o Serviço Militar Obrigatório e fui designado para o II Batalhão de Guardas.

Creio que todos sabem, se já leram os outros posts, que eu fui corneteiro e tinha certas regalias.

O Segundo BG foi como nossa casa no período de quase um ano e isso tem algum fator de relevância para a grande maioria dos que lá serviram. Apesar de ter sido no período da ditadura militar e com todos os rigores que a vida de um soldado da Infantaria tem, os dias lá passados não foram um desperdício de tempo, mesmo tendo eu parado de estudar durante o serviço.

Aprendi muitas coisas, tanto no campo de vida prática como no que eu chamo de arte de observar o comportamento alheio (vim a saber na faculdade de Pedagogia que isso é uma ciência chamada Behaviorismo! Então eu já era cientista desde os meus tenros anos de vida!).

Posso sublinhar aqui os vários tipos de comportamento humano (alguns não tão humanos assim...), os quais observei atentamente, sem tomar qualquer nota ou apontamento, tendo somente o compromisso com minha curiosidade e crítica interna.

Alguns comportamentos eram claramente por mim identificados como sendo o reflexo da frustração que os militares sentiam quanto à perda do poder! Isso era demonstrado através de muitas reações ou tomadas de decisão de oficiais de média ou alta patente.








Soldados do ainda ativo Primeiro BG - Rio

O Batalhão de Guardas era uma tropa de Choque e Elite e tinha atribuições que exigiam um treinamento diferenciado das outras unidades militares de infantaria.

Em São Paulo, no Parque Dom Pedro II, ainda existem as “ruínas” do antigo quartel do II BG.

O II BG foi um braço da ditadura, com certeza, pois uma das unidades onde a segurança era feita por soldados do II BG era o Doi-Codi da Rua Tutóia, ali bem perto da Avenida Paulista e da Brigadeiro Luiz Antônio. Todos sabemos que lá muitos presos políticos eram torturados e alguns morreram no interior de suas dependências.

No ano em que servi a ditadura já estava, digamos, enterrada e o Presidente Figueiredo tinha a missão de jogar a primeira pá de terra em cima do caixão . Missão dada é missão cumprida e ele foi até o fim.

Gostaria que o quartel do Parque Dom Pedro fosse restaurado e pudesse ser usado como uma Escola, sem esquecer o que foi antes, talvez até um Museu-Escola, para que ninguém esqueça que lá muita gente aprendeu alguma coisa, inclusive lições importantes como a de que a vida passa, de que vale a pena lutar pelas coisas do bem e pela liberdade e que tudo pode mudar a qualquer momento!




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