29 janeiro 2007

Absorvo-te

(Pra você, querida Eileen)

Sentir todos os ventos
Aspirá-los pelos
Poros
Inchar-me de ar
Impregnando-me assim
De ti

É isto que sou agora
Como a árvore alta
Que balança folhas
Ao vento
E absorve toda
Todo o
Brilho do Sol
E toda a água da chuva

28 janeiro 2007

Falso Brilhante

Lembrei hoje de Elis Regina.
Morreu aos 36 anos de complicações por causa do uso de drogas e álcool.
Fico triste, pois assisti ao Show Falso Brilhante, em São Paulo.
Para mim foi um dos melhores shows que já assisti em minha vida!
Elis era e sempre será a melhor (para mim, pelo menos). Quando partia sua voz em agudos rascantes, sabia o que estava fazendo. Quem mais agitaria os braços e choraria no fim de "Arrastão", como fez ela no Festival da TV Excelsior de 1965? O Show Falso Brilhante, de 1975, marcou o auge de sua carreira. Foi eleito o show da década.
Elis é Elis por que havia Elis ao vivo!
No palco do Teatro Bandeirantes, sua criatividade dava saltos mortais, e ela estava, sempre, depois dos cinco minutos de cada canção, mais perfeita que antes. Não é simplesmente dizer que tudo que ela fazia era bom. Era impossível fazer de outro jeito.

Parque Nacional da Serra dos Órgãos I

Hoje fui caminhar pela cidade e entrei no Parque Nacional da Serra dos Órgãos.
Ótimo lugar para passeios em família, exercícios mais pesados como escaladas etc.
Também muito bom para meditação.
Posto aqui umas fotos que fiz. Não estão lá tão boas, mas dá pra ter uma noção de como é uma trilha. Esta é bem fácil, já fui com minhas filhas.
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Logo no início da trilha.





Opa! Acha-se cada coisa por aqui...










Final da Trilha Mozart Catão. Este é o Mirante Alexandre Oliveira e o campo lá em baixo é a sede da CBF.
Bom, isto é só um aperitivo. Quando chegar o inverno eu subo mais alto e mostro as montanhas acima dos 2.000 metros.

Link para o site do Paque Nacional da Serra dos Órgãos

27 janeiro 2007

PROJETOS PARA UM MUNDO MELHOR:



Hoje eu tive um sonho
Onde eu pensava em como
Melhorar o mundo

Neste sonho eu acordava
E, pela manhã - sonho dentro do sonho
Procurava uma maneira
De melhorar o mundo

O que posso fazer?
Quais projetos começar?
Sem contar
Que devo melhorar
Eu mesmo

Então, saí de casa
Entrei no ônibus
E vi
Todos estavam
Sentados em seus lugares
E, com cadernos e canetas
Rabiscavam projetos
De como melhorar o mundo

E ao olhar pela janela
Vi pessoas nas calçadas
Aguardando por algo
E, com cadernos e canetas
Rabiscavam projetos
De como melhorar o mundo

O que posso fazer?
Quais projetos começar?
Sem contar
Que devo melhorar
Eu mesmo

Agora acordado
Sei que posso conseguir
Se começar por mim mesmo
Melhorar quem sou
Aprimorar o amor em mim
Meu primeiro projeto
Para melhorar o mundo

Por que todos nós não podemos
Pelo menos
Começar?
E tentar melhorar a nós mesmos
Tendo o amor dentro de nós
E compartilhar
E amar
Escrevendo em nossos corações
Projetos
De como melhorar o mundo

22 janeiro 2007

Amor Universal

Este amor que procuro
Em carne, sangue
Em gozo
Em fluido
Um vazio profundo
Corro em busca
Por todo este mundo
E é poço
Sem água
Onde o vazio
Não se acaba
Onde sinto
Que quanto mais busco
Menos tenho

Este amor
Só encontro em ti
Em ti que não tem corpo
Nem carne ou sangue
Em ti que sempre existiu
E existirá
E que atrás de mim
Está a correr e a
Morrer
Como eu
Que corro e morro
A cada dia
Que vivo
Sem ti

21 janeiro 2007

PODER INSTITUÍDO SOBRE A IGNORÂNCIA

Plenipotenciário
Comprobatório
Hiperpretencioso
Eliminatório

Sistematizado
Compensatório
Superinflacionário
Fantasmagórico

Assassino econômico
Corporatocrático
Financeiromegalômico
Chacinotransgressor

Poder instituído sobre a ignorância
Poder representado pela arrogância
Uso da força armada contra a não violência
Obtém resposta da subserviência

Medicamentar
Assistencializar
Desumanizar
Quebrantar
Exterminar
Enganar

20 janeiro 2007

"Toca, diabo, ganha o teu dinheiro!"

"O povo russo sente uma extranha simpatia pelo bêbado, porém, no presídio, essa simpatia chegava até ao respeito: os paus-d'agua pertenciam a uma espécie de aristocracia. Assim que se sentia alegre, o forçado exigia música. Havia entre nós um polaco, condenado por deserção - um crápula, a bem dizer, mas que possuía um violino e tocava. Como não tinha nenhuma profissão, o seu único recurso consistia em se alugar a um aniversariante e tocar para ele alegres músicas dançantes. Essa função o obrigava a acompanhar o seu ébrio patrão de alojamento em alojamento, arrastando a rabeca com quanta força tinha. Muitas vezes o rosto lhe traduzia o tédio, o desespero, o cansaço, mas ao escutar o grito "Toca, diabo, ganha o teu dinheiro!" fazia o que podia, a manobrar o arco. O festeiro sabia muito que se por acaso ficasse por demais ruidoso, teria quem cuidasse de si: deitá-lo-iam, escodê-lo-iam mal aparecesse um chefe, e aquilo seria feito com absoluto desinteresse."

(Dostoievski em "Recordações Da Casa Dos Mortos", ed. de 1950, Livraria José Olympio Editora, tradução de Rachel de Queiroz, 2ª Edição)

Estou a ler este livro de Dostoievski e me deparei com esta cena acima citada onde um sujeito se presta a "alugar-se para divertir um presidiário bêbado.

Isso me fez pensar em quantas vezes nos deixamos levar por afazeres rotineiros onde não sentimos prazer nenhum em realizá-los. Apenas fazemos por obrigação.
Em um sistema capitalista, onde o valor está no ter e não no ser, vemos esta cena ser repetida em várias situações. Não só nas artes (completamente corrompidas pelo consumismo desenfreado) mas em outras atividades onde o lucro é o objetivo.
Eu fico a pensar nesses "artistas" que se vendem (nem uso mais o verbo alugar) e tenho pena deles. No fundo de seus corações eles são como esse violinista presidiário...
E em nossas tarefas diárias, temos nos sentido assim? A fazer nossas tarefas como se nos arrastássemos?
O que falta para que sejamos realizados em nossos afazeres diários nesta sociedade de consumo onde os valores materiais são a meta, o alvo e o objetivo principal a ser alcançado?

"A obra de arte só nos causa grande impressão quando nos dá algo que, mesmo com todo o esforço de nosso intelecto, não podemos compreender totalmente - Schopenhauer".

A arte causa tal impacto nas pessoas, que muitas coisas estranhas podem acontecer às suas almas: mistérios ficam claros; o opaco torna-se evidente; o complicado, simples; o provável, necessário. O verdadeiro artista sempre simplifica - Henri Amiel".

"Lembre-se de que você não pode fazer nada de maravilhoso movido pela competição; nem nada de nobre movido pelo orgulho - John Ruski".

"Há dois indícios muito claros da verdadeira ciência e da verdadeira arte: o primeiro sinal, interior, é o de que um verdadeiro estudioso ou um artista não trabalham por ganhos, mas por sacrifício, por sua vocação; o segundo, exterior, é o de que suas obras são compreensíveis para todos. A verdadeira ciência estuda e torna acessível o conhecimento que, naquele momento da história, as pessoas consideram importantes, e a verdadeira arte transfere essa verdade do domínio do conhecimento para o domínio dos sentimentos - Leon Tolstoi".

Qualquer obra de arte falsa elogiada pelos críticos é uma porta pela qual os "hipócritas da arte" entram em nossas mentes.

A criação e venda da maior parte da arte, hoje, é pura prostituição. a comparação é verdadeira em todos os detalhes. A verdadeira arte só pode ser criada raramente até mesmo por um verdadeiro artista; como uma criança no útero de sua mãe, ela é o fruto amadurecido de sua vida interior. A arte falsa, no entanto, pode ser incessantemente produzida por artesãos, segundo os ditames do mercado. Assim como uma esposa fiel ama seu marido, a verdadeira arte não precisa de qualquer excesso de decoração; como uma prostituta, a arte falsa exige ser decorada. A verdadeira arte surge de uma necessidade urgente do artista de expressar sentimentos que se formaram dentro dele, do mesmo modo que a mãe precisa dar à luz seu bebê. A arte falsa só reage ao lucro. A arte verdadeira traz sentimentos novos à nossa vida, assim como a mulher traz uma nova pessoa para o mundo. A arte falsa corrompe: ela dissipa a pessoa, a distrai, diminui sua força espiritual. Todos precisam compreender isso, a fim de repudiar a terrível proliferação desse tipo de arte suja e dissipada que é, por seu aspecto, prostituição.

"Você não pode vender seu talento, vender o seu gênio; tão logo o faça, tornou-se uma prostituta. Você pode vender seu trabalho, mas não sua alma. - John Ruskin".

Até expulsarem os vendilhões do templo da arte, ele não será um verdadeiro templo. Mas há de vir o tempo em que esses vendilhões serão expulsos do templo da arte.

15 janeiro 2007

Eileen

Se fosse só
O que se dissesse
Porém é mais
Mais do que se pudesse
Dizer
Se fossem só
Palavras doces
Mas tem
Mais o que
Se possa ser
E
Fazer
Além, é claro
De se dizer.

Por que
Tudo o que há
Tudo o que possa vir a ser
Pode ser
O que jamais será
Ou poderemos fazer
Tudo o que
Nunca
Fizemos
Antes
De tudo quanto
Nem sequer pensássemos
Em fazer...

09 janeiro 2007

Velha Roupa Colorida


Esta foto eu tirei quando tinha 19 anos, ao fim da Ditadura Militar. Servi no Segundo Batalhão de Guardas em São Paulo. Aprendi muita coisa.

Mas esta foto pode ser considerada "subversiva"!
Sim... em plena Ditadura Militar um soldado, em vez de segurar sua arma (um fuzil FAL 762), segura um animal de estimação (essa era a nossa mascote).
Eles nem perceberam minha provocação...
Ainda hoje tenho em meu coração aquela letra do Belchior:
__________

Você não sente e não vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
Nunca mais seu pai falou: “- she’s living home
E meteu o pé na estrada like a rolling stone...”
Nunca mais você convidou sua menina
Para correr no seu carro... (loucura, chiclete e som)
Nunca mais você saiu à rua em grupo reunido
O dedo em “v”, cabelo ao vento
Amor e flor, que é de cartaz
No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
Você não sente e não vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
Como Poe, poeta louco americano
Eu pergunto ao passarinho: “- blackbird o que se faz?”
E raven never raven never raven
Blackbird me responde: “- tudo já ficou trás”
E raven never raven never raven
Assum preto me responde: “- o passado nunca mais”
__________
Ele que, também, conseguiu driblar a censura (burra) com suas letras geniais...

Ps.: vou começar um diário contando a minha passagem pelo Exército.

Sentimento... PQP

Sentimento é foda
Sentimento é lento
Sentimento é um
Ridículo raio de sol
Filtrado por uma
Puta lente de aumento

E enquanto este
Ímã entre o coração
E a mente
Se mete
A ser o cimento
De qualquer que seja
O momento

Eu fico a pensar
Que droga
De sistema capitalista
Que faz com que
Sejamos uns coitados
À espera de um aumento
De um ridículo salário

E isso faz com que
Eu perca o tesão
A ponto de nem ter mais
Palavras para rimar...
A não ser que
Alguém tenha aí
Um saco
Onde eu possa vomitar...

05 janeiro 2007

Escravidão moderna

Vejo a chuva a cair do céu
Quatro dias a formar
Uma ilusão de ótica
Penso ver um imenso e branco véu
Entre minha janela
E a colina com forma hipnótica

Viro-me para o outro lado
Onde a tela de meu monitor
Quadrado
Suga-me para um mundo
Que se pode transformar
Em um imenso e ilusório
Amontoado

Se ser o que sou
Faz de mim um ser imaginário
É esta percepção
De uma contemporânea
Escravidão
Que me deixa mais além
E para fora de um aquário

Se chove há tanto tempo
Que poderia em mim
Desenvolver um par de guelras
E esta sensação de que o mundo,
Todo ele, se derreterá
Levado por tanta quantidade d'água

É porque o que se vê
É uma sociedade podre
E o que eu percebo
É
Que eu e você estamos
Completamente acorrentados
Ao consumo exagerado
De um sistema
Que já é falido
E que enriquece um
Mínimo
De coitados
Que também são levados
Por esta
Gigantesca onda!

02 janeiro 2007

PROLEGÔMENOS

PROLEGÔMENOS:
(Exposição preliminar dos princípios gerais de uma ciência ou arte; prefácio longo; introdução geral de uma obra. Em: "Dicionário Escolar da Língua Portuguesa; Organizado por: Francisco da Silveira Bueno - Catedrático de Lingua e Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Colaboradores: Dinorah da Silveira Capos Pecoraro, Assistente da Cadeira; Felipe Jorge, Catedrático de Português do Instituto de Educação "Caetano de Campos"; Giglio Pecoraro; Geraldo Bressane - 3ª Edição - 1960 - Ministério da Educação e Cultura - Departamento nacional de Educação - Campanha Nacional de Material de Ensino")

SE ACHE
SE PERCA
ESCOLHA
O CAMINHO
AMARRE
A CORDA
DERRAME
O ÓLEO
ESPALHE
A VISTA
VOMITE
A VOZ
CAMINHE
ADIANTE
SEM VIRGULAÇÃO
DESCUBRA
A MENTE
COM
VIOLAÇÃO

SE DEPOIS
DE TUDO
AINDA RESTAR
ENSEIO
OU FENDA
PORTEIRA
OU PRISÃO
APÓIE
AS PERNAS
EM CIMA
DAS PEDRAS
E SALTE...

Não
Não tenha medo
Não
Tenha
Não
Tenha...

Se solte...
Abrace a colina
Beije o céu
Descubra
Que
Sob o véu
Existe o
Que existe
O que já existiu
E o que
Existirá