30 novembro 2006

ETERNIDADE X FORÇA GRAVITACIONAL

Ouço a voz da chuva
Sinto em mim os sinais do tempo
Sou homem de cidade grande
Mas
Entendo a linguagem do vento
Entendo a linguagem do vento

Fui criado em ambiente urbano
Fui educado na civilização
Tenho raízes em concreto e asfalto
Mas
Vôo sobre as montanhas com as nuvens
Vôo sobre as montanhas com as nuvens

Tenho o pé dentro de botas
Visto panos recortados
Meus cabelos formam uma escultura
Mas
Nado nu em rios caudalosos
Nado nu em rios caudalosos

Sento em poltronas reclináveis
Ando em geringonças mecânicas
Sou puxado para o centro da terra
E por isso, ao desintegrar-me
Viverei eternamente
Em moléculas
Ainda quentes

28 novembro 2006

A fragilidade dos laços humanos

Publiquei aqui um pensamento-crítica-crônica-desabafo sobre relacionamentos e quero sugerir a leitura desse livro:
Amor líquido – sobre a fragilidade dos laços humanos, de Zigmunt Bauman
Editora: JORGE ZAHAR




A fragilidade dos laços humanos
por
Gioconda Bordon

Trecho:

O sociólogo Zigmunt Bauman faz uma radiografia das agruras sofridas pelos homens e mulheres que têm que estabelecer suas parcerias no mundo globalizado.
Mundo que ele identifica como líquido, em que as relações se estabelecem com extraordinária fluidez, que se movem e escorrem sem muitos obstáculos, marcadas pela ausência de peso, em constante e frenético movimento. Em seus livros anteriores, já traduzidos e disponíveis para o leitor brasileiro, Bauman defende a idéia de que esse processo de liquefação dos laços sociais não é um desvio de rota na história da civilização ocidental, mas uma proposta contida na própria instauração da modernidade. A globalização, palavra onde estão contidos os prós e os contras da vida contemporânea e suas conseqüências políticas e sociais, pode ser um conceito meio difuso, mas ninguém fica imune aos seus efeitos. A rapidez da troca de informações e as respostas imediatas que esse intercâmbio acarreta nas decisões diárias; qualidades e produtos que ficam obsoletos antes do prazo de vencimento; a incerteza radicalizada em todos os campos da interação humana; a falta de padrões reguladores precisos e duradores; são evidências compartilhadas por todos os que estão neste barco do mundo pós-moderno. Se esse é o pano de fundo do momento, ele vai imprimir sua marca em todos as possibilidades da experiência, inclusive nos relacionamentos amorosos. O sociólogo Zygmunt Bauman mostra como o amor também passa a ser vivenciado de uma maneira mais insegura, com dúvidas acrescidas à já irresistível e temerária atração de se unir ao outro. Nunca houve tanta liberdade na escolha de parceiros, nem tanta variedade de modelos de relacionamentos, e, no entanto, nunca os casais se sentiram tão ansiosos e prontos para rever, ou reverter o rumo da relação.
Leia aqui, ensaio na íntegra

27 novembro 2006

Não esqueci você!

Eu sei que esqueci
Alguma coisa
Em
Algum lugar

Mas não sei o
Que
Nem
O lugar

Em que esqueci
Alguma coisa

Mas eu não esqueci
Você

E está
Difícil de
Te esquecer

É mais fácil
Eu não saber
Qual o lugar
Fácil
De eu encontrar
Você

26 novembro 2006

Lisboas

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante!

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade, rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa é não haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora - ah, lá fora! - rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes à mostra


«Pastelaria», Mário Cesariny, in Quinze Poetas do Século XX, seleção e prefácio de Gastão Cruz, Assírio & Alvim, Dezembro de 2004-Lisboa-Portugal.

__________

O que vivi e ainda vou viver...

Vejo o vento entre as folhas
Sinto o ar em meus pulmões
Quantos sonhos a voar
Ao sabor dos furacões

Sinto a terra sob os pés
Absorvo a energia
Se descubro um mundo novo
É por que eu já sabia

Já sabia o que vivi
Já vivi o que agora sinto
Mas ainda não entendi

Se demora o entendimento
É porque não é a hora
De saber o que vivi

A liberdade

Existem pessoas que assumem para si a responsabilidade de tomar decisões por outros e de determinar seu caminho espiritual e o seu relacionamento com os outros; e existem aqueles, que são a maioria, que entregam a outros esta responsabilidade, e acreditam cegamente em tudo o que lhes é dito. Ambos os grupos cometem crimes iguais.

"Somos todos como crianças que, a princípio, repetem a inquestionável "verdade" que nos foi dita por nossos avós, depois a "verdade" que nos dizem nossos professores e, a seguir, quando ficamos mais velhos, a "verdade" que nos dizem personalidades proeminentes." - Emerson

"Cuidado com os falsos profetas, que lhe chegam perto cobertos com a pele de cordeiros, mas que interiormente são lobos esfaimados. Poderão conhecê-los por seus frutos. Podem os homens colher uvas de espinhos, ou figos de urtigas? Assim também toda boa árvore não pode produzir maus frutos, nem a árvore corrupta produzir bons frutos. Toda árvore que não dá bons frutos é derrubada e atirada ao fogo. De onde se vê que pelos frutos elas serão conhecidas." - Mateus 7:15-20

Todo o homem deve usar a herança espiritual que recebeu dos homens sábios e santos do passado, mas deve também testar tudo com seu intelecto, aceitando certas coisas e rejeitando outras.

Cada indivíduo deve definir por si mesmo sua atitude em relação ao mundo e ao Sobrenatural.

25 novembro 2006

Genesis e E, L & P

Ontem fui a uma confraternização de final de ano. Esta é uma época em que comemos e bebemos muito!
Bom, encurtando a história: Cheguei em casa lá pelas 3 da manhã, após dar uma passadinha no Mafiosi, beber a última cerveja (a saideira) e jogar conversa fora com o Toni. Ao chegar lá, pedi a cerveja e ele estava super ocupado atendendo uma cliente e nem deu muito papo.
Fiquei a conversar com um casal de amigos, bebemos mais cerveja, comemos queijo Gorgonzola... noite longa essa! No fim, Toni nos "expulsou" (com muita classe, diga-se de passagem).

Agora ouço Genesis,

Genesis - Wind & Wuthering (1977)



Este LP é da época em que assisti o show deles lá no Ginásio do Ibirapuera. Eu tinha 17 anos e isso me marcou muito. Foi o primeiro show de uma grande banda de prog rock que assisti.

Nem considero o melhor de Genesis, na fase prog. Prefiro o Foxtrot:



Já estou bem melhor... puta ressaca depois de um rodízio de churrasco e muita cerveja.

Agora vou para outro estilo: coloquei o

Emerson, Lake & Palmer - Trilogy (1972)



Este sim, um clássico do Rock Progressivo com três caras geniais em seu estilo próprio.
Vejam só a letra da primeira música - The Endless Enigma (Part One):


Why do you stare
Do you think that I care?
You've been mislead
By the thoughts in your head

Your words waste and decay
Nothing you say
Reaches my ears anyway
You never spoke a word of truth

Why do you think
I believe what you said
Few of your words
Ever enter my head

I'm tired of living with freaks?
With tongues in their cheeks
Turning their eyes as they speak
They make me sick and tired

Are you confused
To the point in your mind
Though you're blind
Can't you see you're wrong
Won't you refuse
To be used
Even though you may know
I can see you're wrong
Please, please, please open your eyes
Please, please, please don't give me lies

I'v rode all of the earth
Witnessed my birth
Cried at the sight of a man
And still I don't know who I am

(Chorus)

I've seen paupers as kings
Puppets on strings
Dance for the children who stare
You must have seen them everywhere

_______

Parece que ele está a reclamar com o próprio deus!!

Se quiserem ler mais e ouvir essas pérolas, sugiro darem uma passadinha aqui:
http://newprogshine.blogspot.com/

24 novembro 2006

GRITO. EU GRITO!


(E. Munch: O grito, 1893, cera, pastel têmpera sobre papel cartão, 83´5 x 66 cm, Munch Museet, Oslo.)

Eu quero gritar mas não posso
Eu quero dizer mas não sei
Eu preciso enfrentar minha dor
Mas meu coração enfraquece
Se esquece

Se esquece de sentir dor
Porque a dor
Não se esquece de mim

Eu quero soltar o meu grito
Eu preciso falar o que há
Eu só penso em gritar bem mais alto
Do que eu consigo gritar
Mas não sai

Só o que sai é a dor
Porque o grito
Engasgou-se

23 novembro 2006

ESPELHO POLIDO

Espalho meu humor pela manhã
E sempre encontro quem queira

Partilho de minha alma todo o dia
E sinto que sou mais feliz

Se mesmo ao jorrar-me todo inteiro
Vejo claro que sou repelido

Sigo em frente um pouco magoado
Mas logo me sinto
Como espelho de prata polido
Tendo o brilho do sol refletido
A iluminar todo mundo

Este é um poema-tentativa, pseudo-desabafo, grito surdo e mudo de um coração partido... putz



Sou nada
Sinto tudo
Nada tenho
E venho
Mudo
E fico
Vendo o vento a voar e
Folhas a bailar
Mortas
Como
Morto está
(parece)
O amor

Sinto
Somente
Mente
A mente
Sente
O coração
Implode
O mundo explode
E tudo é
Nada
Como nada é
O que
Sinto

22 novembro 2006

Das religiões

Quanto mais eu olho o mundo, menos eu entendo. Eu sou bem burrinho, é verdade, mas não é só isso. Tomemos as religiões. Como é que o sujeito escolhe a religião que vai seguir? A impressão que eu tenho é que nego pega a primeira que aparece, e então passa a defendê-la com paixão e fúria. Estupidez. Há por aí religiões que são exclusivistas, e isso é um perigo. Suponha, por exemplo, que você é um homem bomba. Amarra os explosivos no corpo, veste a roupa, verifica o mecanismo do detonador, se despede da mulher e dos filhos e sai de casa feliz, pronto para cumprir seu dever. Tudo porque no céu há 72 virgens sedentas esperando por você. Suponha, porém, que após explodir a si mesmo numa rua de Jerusalém, matando vinte pessoas, você descubra (tarde demais) que certos mesmo estavam os cristãos. Danou-se: enquanto cai pela boca do poço que leva ao inferno, você vê lá em cima Jesus Cristo rindo da sua cara. Enquanto isso, o Profeta o espera lá embaixo. "Pô, Maomé". "Tá, tá, já sei. Todo muçulmano que vem pra cá vem logo reclamar comigo. A gente não pode errar, porra?"
É um perigo isso, mas também há o outro lado, das religiões que não são exclusivistas. O sujeito que é espírita, por exemplo. Pra que ser espírita? Se o espiritismo estiver certo, e existir mesmo todo aquele negócio de encarnações sucessivas, sendo espírita ou não você vai cair no ciclo universal. Vai morrer, reencarnar, morrer, reencarnar, morrer, reencarnar. Repito a pergunta: para que ser espírita, se não há risco nenhum em não ser espírita? Besteira.
O mesmo serve para o budismo, o hinduísmo, uma cambada de religiões. Mesmo o cristianismo, com todo o lance de plano de salvação e o risco constante do inferno, tem lá suas tolerâncias. Um padre relativamente conservador me disse certa vez que o importante é ter o sentimento da caridade, do amor ao próximo. Segundo ele, Sócrates está salvo (o filósofo, não o doutor), assim como outros pagãos e ateus piedosos. Descarte-se, pois, o catolicismo: seja bonzinho, e está tudo certo.
Os evangélicos já não são tão tolerantes. Você precisa aceitar a idéia do sacrifício vicário de Jesus na cruz como vetor de salvação para a humanidade. Caso contrário, vai passar a eternidade queimando o brioco na casa de Satanás. No entanto, há gradações de tolerância até entre os bíblias. O pastor da igreja batista que eu freqüentava dizia que, uma vez convertido, nego não perdia a salvação nem que quisesse. Funcionaria assim: o sujeito aceita a idéia toda do plano de salvação, se converte, pois. Ainda que mais tarde ele renegue a Deus e a Cristo, o nome dele não sai da lista de Javé nem a pau. Segundo ele, então, eu estou garantido.
Segundo a Congregação Cristã no Brasil, porém, eu estou é ferrado. E vocês também, porque a crença deles é que só a Congregação é o verdadeiro cristianismo, e só por ela o homem pode escapar do fogo eterno.
Então é simples: basta irmos todos para a Congregação. As mulheres terão de usar véu, manter cabelos e vestidos longos. Os homens terão de vestir terno mesmo nos dias quentes, e andar sobraçando bíblias do tamanho de videocassetes. O que é isso, porém, diante da salvação eterna? Nada! Além do mais, poderemos beber à vontade, já que a Congregação não proíbe o consumo de álcool.
Pena que não seja tão simples: e se certos estiverem os muçulmanos? É o diabo.

Fala-se muito de fundamentalismo nos dias que correm, e fala-se principalmente mal. No entanto, se pensarmos bem, notaremos que as únicas religiões que podem valer a pena são os fundamentalismos cristãos, judeus ou muçulmanos. As três grandes religiões monoteístas levadas ao extremo. Desista, portanto, desse negócio de ir cada dia a um templo, terreiro ou o que seja, na esperança de encontrar a Verdade. É sua alma imortal que está em jogo! Concentre-se nas religiões exclusivistas, e faça sua aposta.
Ou então admita logo que não existe alma imortal, Deus, céu, inferno, nada disso. E viva sem encher o saco dos outros.

POR MARCO AURÉLIO DOS SANTOS

21 novembro 2006

Queimada



Sol de inverno
Céu azul
Raios ultravioletas a queimar
Pele, olhos, ossos, bichos

Rochas quentes
Folhas secas
Samambaias oleosas fumegantes

Fumaça expelida pela queima
Dos tocos secos
Fumaça enegrecida pela queima
Dos arbustos vivos
Sobe como a dizer que a natureza morre

Homens feras
Queimam a terra
Mal sabem...
Pagarão.

Alto preço deve o homem
Sem apreço pela terra
Sofre já
Sofrerá
O que a seus filhos deixará?
Miséria e morte
A pior sorte

Tem alguma mulher aí que queira me dar um colo?


(EU, NO MEU ANIVERSÁRIO DE UM ANO.. SIM.. TENHO 46 MAS, DIZEM, APARENTO 34)

Fico a vislumbrar esta fotografia de 1961 e penso como era bom aquele tempo, quando as mulheres me carregavam no colo.
Nesta foto, estou no colo de meu avô. À minha direita (sim, pois estou a olhar para a foto, então é à minha direita pois estou de frente para o monitor) está minha avó (percebam que ela já está doidinha para aconchegar-me em seus braços) e, do outro lado, a mãe de meu avô.
Sei, por relato de minha mãe, que as mulheres da família e outras também (mulheres), gostavam de me pegar no colo e diziam:
"- Que criança linda, guti guti..." Etc...
Hoje as mulheres dizem o mesmo para mim (dizem até mais hahahaha), mas... não sei, parece que está difícil ter um relacionamento mais duradouro. Quando você tenta manter um diálogo mais, diria, intelectual, cabeça mesmo, as mulheres parecem que fogem...
Tenho a ligeira impressão de que hoje elas estão em busca de um certo "conforto financeiro", hmmm, ou algo parecido...
Me desculpem, mas sou muito ingênuo!
E como disse no post anterior, atualmente minha tendência é de me achar um tanto quanto... OTÁRIO!!!

Sou um otário mesmo!

Não quero perder a esperança. Ainda acredito no amor. Posso até ser tachado como um babaca, um otário por acreditar ainda nas pessoas, mas eu ainda acredito. Sim, apesar de, ultimamente, ter levado vários pés na bunda, ouvir desculpas esfarrapadas depois de ter ouvido declarações que se contradizem nas desculpas esfarrapadas...

Ou então eu atraio mulheres loucas, esquizofrênicas, que não sabem o que querem...

Ok, ok, sou um otário e um babaca...

Até hoje fico na dúvida se fui ou não corno! Isso é o pior...

Minha vida, ultimamente, tem sido uma seqüência de reticências...

Tudo fica no ar. Respostas ficam no ar...

Até minhas perguntas estão a voar pelo ar...

Com todo o respeito às minhas quatro filhas, à minha mãe e até às minhas irmãs, quero dizer aqui a todo mundo que estou a mudar o meu pensamento quase que neolítico quanto às mulheres. Nem vou dizer o que tenho pensado sobre elas ultimamente. Talvez vocês dois (meus dois leitores) entendam o que eu digo. Não quero chegar ao ponto que chegou o Marco Aurélio que não acredita mais em deus e no amor. Eu pelo menos ainda acredito em um deus, não naquele que fulminava todos os idólatras etc... Meu modo de ver (isso é uma figura de linguagem) deus é mais oriental, mais xintoísta.

Mas se eu continuar a ter essas experiências frustrantes com meus relacionamentos vou sim mudar meus conceitos sobre o amor... Na verdade tenho que deixar de ser bonzinho, otário e besta!

20 novembro 2006

Morreu o amor

Sombras...
Sombras em meio ao céu azul
São sombras de um amor
Pois bem antes de crescer morreu...
Se foi amor
Nem sofreu

Mas sofre
Estranho
Sou um estranho para ti
E antes bem conhecido
Mas... melhor ter morrido
Antes de ser maior

Pois antes mesmo de ser este maior
É já amor
E é já intenso
E intenso é o
Sentimento
E o
Sofrimento...

Flash

Saímos do apartamento e descemos as escadas quase em silêncio.
Nos despedimos com um beijo frio. Segui adiante.
Olhei para trás duas vezes para vê-la.
Lembrei daquela música...
Comecei a andar. Fui para casa.
"- Talvez, sozinhos, descobriremos o que está acontecendo." - Disse ela.
Eu concordei. Não entendia o que estava a acontecer mesmo!
Primeiro, fomos atraídos um pelo outro apenas com um olhar. Sentimos uma energia diferente. Ficamos duas semanas inteiras juntos como se já nos conhecêssemos há muitos anos, há muitas vidas.
De repente, como que acordado de um sono profundo, fui surpreendido pela frase que ela me disse ainda na cama ao meu lado:
"- Não sinto mais nada!"
E depois, enquanto tomávamos o café da manhã:
"- Sabe, o que eu vou te dizer é um puta clichê, mas é a realidade. Não estou te dispensando, mas vamos dar um tempo!"
Fiquei encucado, um pouco triste confesso. Mas senti uma coisa diferente. Não sei explicar.
Assim como começou, terminou: como um relâmpago, um raio sem barulho, sem estrondo!

E caminhei em direção à minha casa. Subi a ladeira com o MP3 ligado e, quando olhei para o meio da rua de paralelepípedos, ví um filhote de gato no meio da rua.
Era lindo, mas um carro passou por cima dele. Os pneus esmagaram o gato no meio de seu tronco e ele ficou ali se debatendo por uns segundos e morreu...

Vazio

Não sei...
Hoje acordei assim... sem você!
Se estás ao meu lado é só fisicamente
Se é uma dor
Na mente
Mente

Somente
Sente o que eu sinto
Procura ser o que sou
Sendo você mesma
Procuro ser o que sou
E ser você também

Vem
Deixa esta carga
Pesada
Sofrida
Doída
Sem vida

Esse é o nosso karma!

Será?

14 novembro 2006

...


O Triunfo da Morte, pintura de Pieter Brueghel o Velho (1562).

________________________________
A lama encobre a vida entranhada no mangue
A forma do galho se expande entre as folhas
A água penetra os poros da terra
O caranguejo anda e se esconde

A besta humana cerra a árvore
Cava a lama
Abre uma brecha
Rouba a vida

E o mundo se esvai em tristeza e dor...

12 novembro 2006

Perto da luz


(Desenho de Roger Dean)

Perto, tão perto da luz
Perto desta luz passo
E nesta noite infinita
Espero por você

Temos um propósito
Para estar aqui.

Perto, tão perto do tempo
Todos nós nos movemos
Para alcançar o alvo
E alcançaremos
E nos acalmaremos

Nosso coração está aberto
Temos um propósito
Para estar aqui
Longa pode ser a espera
Mas evoluiremos

Perto, tão perto da luz
Nós temos uma forma
E temos que trilhar
O caminho certo

O sol nos conduzirá
Temos um propósito
Para estar aqui

(Tradução livre da letra abaixo)

The Gates of Delirium

Anderson/Howe/Moraz/Squire/White

Soon, oh soon the light,
Pass within and soothe this endless night
And wait here for you,
Our reason to be here.

Soon, oh soon the time,
All we move to gain will reach and calm;
Our heart is open,
Our reason to be here.

Long ago, set into rhyme.
Soon, oh soon the light,
Ours to shape for all time,
Ours the right;
The sun will lead us,
Our reason to be here.

Soon, oh soon the light,
Ours to shape for all time,
Ours the right;
The sun will lead us,
Our reason to be here.

11 novembro 2006

Perto do limite

Há um chamado profundo
Em seu coração perdido
Há a desonra de ser animal
Existe uma onda
Em seu ser carnal

Se quer reagir a essa tormenta
Não busque na graça o que
Te orienta

Se quer conseguir
Se quer tranformar
Veja o que há
Em seu limiar
É música que soa
É onda no ar

Provamos da fruta
A nós proibida
Perdemos então
O que conquistamos
Saímos em busca
De novos caminhos
Chegou a fronteira
Vou ultrapassar

Perto da linha
Limite a passar
Longe de tudo
Vou me transformar

Cruzei esse rio
Ultrapassei o limite
Não pela direita
Não pela esquerda
Vou em frente
Cruzando o rio
Limpando a mente

Meus sentimentos

Sou eu quem escrevo
Sou eu quem canto
Penso mal
Sinto muito
Sinto mal
Se canto afinado, mal está meu coração
Assumo em mim o erro
Erro e não quero continuar
Erro
Preciso parar com isso

Preciso

Preciso tanto de você...

Vomito palavras e nem penso
Penso depois que olho o vômito
E vejo o nojo
E olho o resto
E sinto que nessa caminhada
Tropeço

Bêbado de letras
Embriagado de idéias
E ideais

Fui...
De passo em passo
De degrau em degrau
Esparramando meus sentimentos

O pior de tudo é que eu não consigo dizer
Só consigo escrever.

Por que será que eu sou assim?

O valor do silêncio

As pessoas aprendem a falar, porém sua maior preocupação deveria ser a de como se manterem em silêncio.

"Se sua língua falar bem, não há nada de melhor no mundo, se sua língua falar mal, não há nada de pior." - O Talmude

"Passei minha vida inteira entre sábios, e não descobri nada melhor neste mundo do que o silêncio. Se uma palavra custa uma moeda, então o silêncio custa duas. O silêncio convém às pessoas inteligentes, e convém ainda mais às que são sábias." - O Talmude

"Permita que sua lingua se acostume às palavras 'Eu não sei'." - Sabedoria Oriental

"Aquele que fala muito só raramente transformará todas as suas plavras em ações." - Sabedoria Chinesa

"Se quiser impedir uma pessoa de agir, peça-lhe que fale mais a respeito do assunto. Quanto mais as pessoas falam, menos terão elas desejo de agir." - Tomas Carlyle

"A ferida de uma faca pode ser curada, porém o ferimento feito por uma língua jamais fecha." - Sabedoria Persa

Às vezes o dano causado por nossas palavras é obvio, outras vezes não; porém o dano não se torna menor pelo fato de não sermos capazes de ver as pessoas que sofrem em função de nossas palavras.

Guarde o silêncio. Dê descanso à sua língua com mais freqüência do que às suas mãos. Jamais há de arrepender-se de ter ficado calado, porém, muitas vezes lamentará ter falado demais.

01 novembro 2006

Eu e Você


O tempo é o remédio da dor
O vento traz você assim
Se eu tivesse
Só a claridade do teu rosto
Teria sempre
Só você pra mim

Se eu tivesse
Só o brilho desse teu sorriso
Doce
E ele fosse tudo o que eu tivesse
Seria certamente tudo
O que você pudesse
Ter deixado em mim

Agora
Vejo mais do que
Eu quisesse ter
Agora
Vejo tudo o que você e eu
A fluir ao vento
Que te trouxe
A mim
Podemos ser

E vejo tudo
Como não se visse
Como o Universo vê
E deixo tudo
Como só se fosse
E só fluísse
Tudo o que há em mim e em você...