24 fevereiro 2013

A São Paulo que ainda existe desde 1979



Li em algum lugar que um repórter perguntou a Che Guevara se ele tinha carro, no que o comandante respondeu: Tenho pernas!
Sou um andarilho nato, desde criança caminho muito. Sempre gostei de andar. E ando muito até os dias de hoje!
Mas não me conformo com o teclado do notebook a falhar...
Por algum motivo algumas teclas estão inutilizadas. Creio que seja por causa de algum problema de hardware. E eu tenho que usar o teclado virtual do rwindows!
Mas vou nessa, a andar por trilhas ainda não abertas (pelo menos por mim... ainda).
E lembro-me daquele pastel singular, feio pelo japonês da Kombi na feira do bairro paulistano de Santo Amaro, mais precisamente na Granja Julieta, onde os alemães tinham as melhores casas e eu, adolescente dependente, ainda estudava para não sei o quê!
Era e foi o melhor pastel que já provei até hoje! Nem os chineses da famosa pastelaria de Teresópolis fazem um pastel tão bom (e olha que os chineses dominarão o mundo!).
Ainda hoje, quando quero comer um bom pastel espero pela época em que, depois de muito trabalhar, vou a São Paulo treinar Aikido no dojo do meu Sensei, Wagner Bull, e aproveito para dar uma voltinha pelas regiões que conheci quando adolescente.
Uma dessas regiões é a Granja Julieta, antigo bairro de “gringos”, como eram chamados os estrangeiros, maioria alemães, moradores daquela região.
Não existem mais alemães na Granja Julieta! Foram todos expulsos pelos assaltantes e ladrões que invadiam suas casas, avisados pelos policiais coniventes com os bandidos, de que os proprietários tinham ido viajar!
Eu mesmo (me arrisco aqui) presenciei um X9 a conversar com Policiais Civis em 1979, dando todo o serviço de casas vagas onde seus habitantes, funcionários de multinacionais, haviam viajado em gozo de suas férias, para que pudessem fazer a limpa, à procura de dinheiro e bens materiais que seriam vendidos e revertidos em espécie!
Bons tempos aqueles, em 1979, quando servi o Exército, em plena ditadura militar, onde podia comer meu pastel tranquilo, numa cidade segura, sem corrupção nem criminalidade!
Essa era a São Paulo da “Revolução”! Essa era a São Paulo da TFP que fazia semanalmente aquelas manifestações em defesa da família e da propriedade! Essa era a São Paulo de Maluf, governador biônico.  Essa era a São Paulo de um Brasil que...
Ainda existe!!!

31 janeiro 2013

O Desenvolvimento da Resiliência Por Meio de Caminhadas de Pequeno e Longo Curso – Trekking

É com muita alegria que posto aqui minha estréia na produção acadêmica, meu primeiro artigo científico, publicado na Revista de Desenvolvimento Pessoal do Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro - LATEC-UFRJ:
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O DESENVOLVIMENTO DA RESILIÊNCIA ATRAVÉS DE CAMINHADAS DE PEQUENO E LONGO CURSO – TREKKING
Cristina Haguenauer
Alfredo José Rebello

Resumo

Este artigo apresenta o conceito de resiliência com enfoque para o desenvolvimento desta competência em praticantes de caminhadas de pequeno e de longo curso. Veremos como esta competência pode ser desenvolvida a partir da capacidade de resposta de um sujeito aos desafios e dificuldades que essas caminhadas apresentam e como o praticante reage aos estímulos, desenvolvendo a capacidade de recuperação diante de desafios e de circunstâncias desfavoráveis.
Palavras Chave: Resiliência, Esportes de Aventura, Superação

Resilience Development Through Small and Long Course Walks - Trekking

Abstract

This article introduces the concept of with a focus on the development of this competence hikers long haul. We'll see how this skill can be developed from the responsiveness of a subject to the challenges and difficulties that these walks are and how the practitioner responds to stimuli, developing resilience in the face of challenges and unfavorable circumstances.
Keywords: Resilience, Adventure Sports, Overcoming





O Conceito de Resiliência

A noção de resiliência vem sendo usada historicamente pela Física e Engenharia. Esse conceito apresenta a ideia de módulo de elasticidade (TAVARES, 2001, P 15). Segundo definição de Tavares (2001), resiliência refere-se à capacidade de um material absorver energia, sem sofrer deformação permanente (EASLEY, EASLEY & ROLFE, 1983, apud TAVARES 2001).
Nas primeiras pesquisas aplicadas ao campo da psicologia, cientistas de várias partes do mundo se apropriaram do tema, estudando-o a partir de diferentes perspectivas que são, atualmente, organizadas por alguns autores, em três correntes: a norte-americana ou anglo-saxônica, a européia e a latino-americana (OJEDA, 2004).
Como conceito chave para nossa argumentação, utilizaremos os estudos deTavares (2001) onde podemos entender que:

Resiliência é a capacidade de responder de forma mais consistente aos desafios e dificuldades, de reagir com flexibilidade e capacidade de recuperação diante desses desafios e circunstâncias desfavoráveis, tendo uma atitude otimista, positiva e perseverante e mantendo um equilíbrio dinâmico durante e após os embates – uma característica de personalidade que, ativada e desenvolvida, possibilita ao sujeito supera-se e às pressões de seu mundo, desenvolver um autoconceito realista, autoconfiança e um senso de autoproteção que não desconsidera a abertura ao novo, à mudança, ao outro e à realidade subjacente. (Tavares, 2001, p 7)

Segundo o mesmo autor, a resiliência é um conceito novo que assume um significado especial na formação das camadas mais jovens e nos grupos sociais de alto risco ou sujeitas a níveis elevados de stress. (TAVARES 2001, P, 43).

As pessoas sentem-se cada vez mais ameaçadas, por realidades externas e internas, a sensação de insegurança aumenta e torna-se mais indefinida e, por conseguinte, os níveis de ansiedade e angústia são cada vez mais elevados conduzindo, em muitos casos, a verdadeiras situações de rotura e desespero. (Tavares, 2001, P 42)

Para Tavares (2001) é no contexto acima que o conceito de resiliência deve ser questionado e deve ser desenvolvido, porque diz que uma pessoa resiliente não é apenas aquela que resiste de qualquer forma, mas sim aquele que resiste e mantém um padrão positivo na resistência, ou seja, a pessoa que, passando pelas situações difíceis, consegue transformá-las em aprendizado, adquirindo autonomia. Segundo Ruegg  resiliência deve ser vista como:

(...) uma qualidade de resistência e perseverança da pessoa humana face às dificuldades que encontra e mostra a evolução do conceito – das realidades materiais, físicas e biológicas, para as realidades imateriais ou espirituais. (Ruegg 1997, p.09 apud Tavares, 2000, p.34)

Com isso podemos entender que a grande e fundamental diferença do conceito de resiliência quando aplicada à Física e quando aplicada à Psicologia (ou seja, com o fator humano envolvido) é a de que os seres humanos podem ter a capacidade de adaptar-se e ajustar-se não de forma meramente passiva, mas na medida em que se adaptam às pressões e dificuldades cotidianas, podem construir novas formas de relação, mais verdadeiras, participativas, solidárias, enfim, relações com mais qualidade.

Resiliência e Esportes de Aventura

Em nossa sociedade temos visto o surgimento de novas formas de “estar juntos”. Dentre essas novas formas chamamos a atenção para as atividades de aventura, cujo campo principal de manifestação tem sido o lazer. Dentre essas formas destacamos o trekking ou caminhada pequeno ou longo curso, a escalada esportiva, o rappel, dentre várias outras. Ao analisar os nomes que elas têm recebido por diversos autores (novos esportes; esportes de aventura; esportes tecnoecológicos; esportes em liberdade; esportes californianos; esportes selvagens; entre outros) pode-se constatar que esses rótulos definem as características e as origens dessas práticas, inseridas em um contexto mais amplo (MARINHO 2001).
No entender de Betrán (1995), as atividades de aventura se diferem dos esportes tradicionais porque as condições de prática, os objetivos, a própria motivação e os meios utilizados para o seu desenvolvimento são outros e, além disso, há também a presença de inovadores equipamentos tecnológicos permitindo uma fluidez entre o praticante e o espaço da prática. São atividades cerceadas por riscos e perigos, na medida do possível, calculados, não ocorrendo treinamentos intensivos prévios (como no caso de esportes tradicionais e de práticas corporais como a ginástica e a musculação). A experimentação acontece de maneira mais direta, havendo um afastamento de rendimentos planejados.
A identidade diferenciada das atividades de aventura provém de aspectos práticos ou materiais e, também, de sua dimensão imaginária ou simbólica (Feixa, 1995), na qual a aventura aparece como uma cenografia e as ações são subordinadas às percepções e riscos (reais e imaginários). Durante essas situações de aventura, o corpo passa a ser um campo informacional, concebido como receptor e emissor de informação e não como mero instrumento de ação ou coação. Os corpos, por sua vez, enfrentam regras de realização constantemente revisáveis e sempre submetidas à apreciação dos praticantes.
Segundo Pociello (1995, p19), alguns aspectos irão reforçar o gosto pronunciado por essas aventuras, tais como:

Flexibilidade e rapidez de adaptação, leveza e mobilidade, pequenos grupos, domínio de tecnologias avançadas, organização em rede, senso de iniciativa e capacidade de assumir riscos calculados.

Um discurso “radical” vem legitimando essas práticas, traduzindo, talvez, um pouco das complexidades do cotidiano humano. Talvez esse discurso possa ser mais bem compreendido mediante reflexões sobre o contemporâneo quadro em que vivemos.
De acordo com Bruhns (1997, p 26), estamos vivendo um quadro contemporâneo complexo, composto de perda de horizontes, vazio existencial e incômodo permanentes: sensações presentes no cotidiano. Busca-se algo indefinido, desconhecido, compondo instabilidades e descartabilidades. Segundo a autora, instabilidades devido a situações diárias envolvendo riscos constantes, violências, desempregos, endividamentos, acúmulo de informações, entre outros. E, por sua vez, as descartabilidades envolvem desde o complexo problema do lixo até o descarte de valores, estilos de vida, relacionamentos estáveis e diferentes tipos de apegos a coisas, pessoas, lugares, etc.

Nas vivências de aventura, pode-se perceber a influência mais surda, entretanto, mais profunda de um mundo em crise, inquietante e instável, consumido por abalos brutais e animado por transformações rápidas. (Pociello, 1995)

Por contrapartida, essas vivências de aventura, com base em Bruhns (1999), podem se constituir em um tipo de resistência a alguns elementos desse quadro contemporâneo acima explicitado (instabilidades, caos, contradição), à medida que utilizam esses mesmos elementos, e maneira lúdica, para brincar com eles.

Desenvolvimento da Resiliência em Caminhadas de Pequeno e de Longo Curso

Chegamos ao ponto onde podemos traçar um paralelo entre a capacidade do ser humano de desenvolver a resiliência e o papel do educador como mediador, segundo a teoria de Vygotsky de que:

A rigor, do ponto de vista científico, não se pode educar a outrem [diretamente]. Não é possível exercer uma influência direta e produzir mudanças em um organismo alheio. Só é possível educar a si mesmo, isto é, modificar as reações inatas através da própria experiência. (Vygotsky, 2003, p. 75)

Em outro ponto, afirma:

Por isso, o professor desempenha um papel ativo no processo de educação: modelar, cortar, dividir e entalhar os elementos do meio para que estes realizem o objetivo buscado (idem, p.79).

Tendo como base essa teoria e o que foi apresentado sobre os esportes de aventura, podemos construir um cenário onde o educador, usando um dos esportes, a saber, a Caminhada de Pequeno Curso e a Caminhada de Longo Curso, regulamentadas no Brasil pelas Normas ABNT NBR 15505 e 15398, respectivamente, conduzem o participante a uma experiência onde o mesmo pode sair de sua Zona de Conforto e lançar-se em uma experiência que represente uma quebra, uma mudança nos conceitos que tem de si mesmo e uma ampliação de seu autoconhecimento.
Somos submetidos em nosso dia a dia a situações involuntárias de risco, como os riscos naturais do relacionamento com a sociedade e com o ambiente em que vivemos. Por outro lado, temos aqueles casos de certa forma controláveis que permeiam nossa vida desde os primeiros anos e nos quais podemos influenciar ativamente.
Temos a capacidade de fazer escolhas ou tomar decisões e isso pode ser usado para moldar nosso futuro, mas a trajetória de nossa vida, marcada por frustrações, desilusões e derrotas, pode inibir nossas atitudes e, quando percebemos em um dado momento que alcançamos certa estabilidade, fechamos as janelas para novas visões do mundo, para o novo.
Porém, quem não tem audácia e disciplina não pode alimentar grandes sonhos, mas eles serão enterrados nos solos da sua timidez e nos destroços das suas preocupações. Estará sempre em desvantagem competitiva (CURY, 2004). É necessário estarmos prontos para correr riscos, o que muita gente não quer porque isso implica na saída da zona de conforto. Essa zona de conforto, prazerosa e aparentemente segura, contribui para a estagnação, impedindo o nosso crescimento, tornando-nos vulneráveis às adversidades do dia-a-dia (BRAGA apud LIMA, 2007).
As caminhadas de Pequeno Curso, definidas na norma ABNT NBR 15505, são caminhadas em ambientes naturais que podem ser feitas em períodos de poucas horas e que não envolvem pernoite, mas exigem o uso de equipamentos específicos e capacitação de um condutor em algumas competências. As caminhadas de longo curso, definidas na norma ABNT NBR 15398, são caminhadas em ambientes naturais envolvendo pernoite, uso de equipamentos específicos e também a capacitação de um condutor em algumas competências. O condutor, segundo as mesmas Normas, é o profissional que recepciona, orienta, prepara e conduz o cliente de forma segura nas atividades de caminhada de pequeno e de longo curso.
É nesse contexto que podemos situar o educador-condutor como um especialista que levará o participante a romper seus limites, a sair de sua zona de conforto e experimentar o novo.
Uma caminhada de pequeno curso em ambiente natural pode ser explorada para conduzir crianças, jovens, adultos e idosos simulando-se várias situações, adaptadas às faixas etárias, como a superação de obstáculos e desafios. A Caminhada de longo curso em ambiente natural envolve planejamento de estratégias e logística, preparação de equipamentos além da superação de obstáculos durante a caminhada em si. É nesse cenário que o condutor leva o participante a refletir sobre sua condição frágil diante da força da natureza, que pode ser fatal se ambos não se submeterem à disciplina de seguirem regras específicas de conduta em ambientes naturais. Assim, esse participante, ou grupo de participantes, são levados a experimentar situações de stress controlado e perceberem que possuem as ferramentas para lidar psicologicamente com essas pressões.
O condutor-educador é nesse ambiente aquele intermediário, facilitador que conduzirá o participante em uma jornada que confirmará que:

Ajudar as pessoas a descobrir as suas capacidades, aceitá-las e confirmá-las positiva e incondicionalmente é, em boa medida, a maneira de as tornar mais confiantes e resilientes para enfrentar a vida do dia-a-dia por mais adversa e difícil que se apresente. Sabemos que o modo de ajudar mais eficazmente as pessoas a resolver os seus problemas é ajudá-las a afirmar, desenvolver e otimizar o seu auto-conceito, a sua auto-estima. (Tavares, 2011, p. 52).




Considerações Finais
A resiliência é um novo paradigma científico e de formação que está se configurando como verdadeiro “manual de sobrevivência” para o ambiente hostil em que vivemos. Seus conceitos foram desenvolvidos recentemente a partir de conhecimentos empíricos bastante antigos.
Buscamos nesse texto uma aproximação ao conceito de resiliência e sua repercussão na área educacional, basicamente mostrando que o conceito é uma ideia que traz dimensões relacionadas à individualidade e coletividade. Pensar em pessoas mais resilientes, implica em supor seres humanos mais autônomos, críticos, participativos, sensíveis e amorosos. As experiências sensíveis, por sua vez, parecem ser difíceis de serem notadas em nosso cotidiano. Muitas oportunidades para isso simplesmente passam despercebidas. Podemos dizer que o ambiente natural aguça nossa sensibilidade, sendo um lugar de experimentação, onde as coisas realmente acontecem. Um lugar onde acertamos, erramos, aprendemos, nos desenvolvemos, enfim, um lugar onde estão as verdadeiras oportunidades que nos fazem crescer pessoalmente, onde se pode percorrer trilhas irregulares, traçar e alcançar objetivos, superar limites antes impossíveis aos nossos olhos, e, também, trabalhar as frustrações, os medos e as incertezas. Há necessidade de a sensibilidade ser vivida como um fim sem limites precisos, podendo ser observada em pequeninas e simples atitudes do dia-a-dia. Percebê-la como um fim, pode nos fazer acreditar que ela dará sentido maior à vida, permitindo o desenvolvimento em suas formas cotidianas e corriqueiras. Como mostra Bruhns (1997), a vivência de novas sensibilidades se faz necessária para que possam conduzir os seres humanos a diferentes formas de comunicação com o meio em que vivem.
Em um ambiente natural, no qual há maiores imprevisibilidades (como por exemplo, ocorrência de avalanches, tempestades, frio, etc.), é possível acreditar que os adeptos das atividades de aventura, particularmente a caminhada de longo curso, possam assumir atitudes defensivas em suas vidas ao mesmo tempo em que procuram e enfrentam deliberadamente o perigo.
Portanto, como já destacado, a vivência das atividades de aventura, enquanto experiências intensas, excedendo a rotina e diferenciando-se da vida cotidiana, pode contribuir para o desenvolvimento da resiliência como competência humana e esta competência pode ser aprendida a partir de como o indivíduo encara seus desafios.

















Referências

Associação Brasileira de Normas Técnicas – NBR 15398 – Turismo de aventura — Condutores de caminhada de longo curso — Competências de pessoal, Parceria ABNT e Ministério do Turismo - Normas para o desenvolvimento do Turismo no Brasil 2006. Disponível em: . Acesso em Set. 2012. 14:25:00.

ABNT – NBR 15505 – Turismo de Aventura – Turismo com atividade de caminhada, Parceria ABNT e Ministério do Turismo - Normas para o desenvolvimento do Turismo no Brasil 2006. Disponível em: < http://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=640>. Acesso em Set. 2012. 14:30:00.

BETRÁN, Javier O. Las actividades físicas de aventura en la naturaleza: análisis sociocultural. Apunts: Educación Física y Deportes. Barcelona, 1995
(41 ), p.S-8.

LIMA, Antônio J. Zona de conforto X proatividade. Disponível em: . Acesso em 20 jan. 2011, 21:30:30.

BRUHNS, Heloisa T. Esporte e Natureza: O aprendizado da experimentação. In: SERRANO Célia (org.). A educação pelas pedras - ecoturismo e educação ambiental. São Paulo: Chronos, 2000.

BRUHNS, Heloisa T. Lazer e meio ambiente: a natureza como espaço da
experiência. Conexões: Educação, esporte e lazer. Campinas: Faculdade
de Educação Física da Unicamp, n°.3, dezembro, 1999, p. 7-26.

BRUHNS, Heloisa T. Lazer, cultura e tecnologia: discussões envolvendo aspectos da globalização. Licere. Belo Horizonte: UFMG, v.1, n°1, 1998 (a), p.77-94.

BRUHNS, Heloisa T. Visitando a natureza, experimentando intensidades. In:
VASCONCELOS, Fábio P. Turismo e meio ambiente. Fortaleza: UECE,
1998 (b).

BRUHNS, Heloisa T. O corpo visitando a natureza: possibilidades de um diálogo crítico. In: SERRANO, Célia; BRUHNS, Heloisa T. (orgs.). Viagens à
natureza: turismo, cultura e ambiente. Campinas: Papirus, 1997.

CURY, Augusto. Nunca desista dos seus sonhos. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.

FEIXA, Carlos. La aventura imaginaria. Una visión antropológica de las
actividades físicas de aventura en la naturaleza. Apunts: Educación Física
y Deportes. Barcelona, 1995 (41), p.36-43.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 48 ed., Rio de Janeiro: Graal, 1984.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática eduativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

MARINHO, A. Da busca pela natureza aos ambientes artificiais: reflexões sobre a escalada esportiva. UNICAMP, Campinas, 2001. Disponível em: . Acesso em Acesso em 20 Fev. 2011, 19:40:15.

OJEDA, E. N. S. (2004). Introducción: Resiliencia e subjetividad. In A. Melillo, E. N. S. Ojeda, & D. Rodríguez (Orgs.), Resiliencia y subjetividad: Los ciclos de la vida (pp. 17-20). Buenos Aires: Paidós.

POCIELLO, Christian. Os desafios da leveza- as práticas corporais em mutação. In: SANT'ANNA, Denise B. (org.). Políticas do corpo. São Paulo: Estação Liberdade, 1995.

RUEGG, F. Valorizar as potencialidades da criança. A resiliência, conceitos e perspectivas. Cadernos de educação de Infância, nº 42, 1997, p. 9.

TAVARES, J. (org) Resiliência e educação. São Paulo: Cortez, 2001.

Sobre os Autores
Cristina Jasbinschek Haguenauer
Graduada em Engenharia Civil pela UERJ (1985), Mestre em Engenharia pela PUC-RJ (1988) e Doutora em Ciências de Engenharia UFRJ (1997). Atualmente é professora Associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atua em ensino, pesquisa e consultoria na área de Tecnologias da Informação e da Comunicação, com foco em Educação a Distância, Capacitação Profissional, Formação Continuada, Produção de Hipermídia, Jogos Educativos, Ambientes Virtuais de Aprendizagem, Portais de Informação e Realidade Virtual.


Alfredo José Rebello

Educador Ambiental e Professor de Informática Educativa. É editor executivo do Portal e da Revista de Educação Ambiental do Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e Comunicação - LATEC-UFRJ. Diretor da empresa EDUCATRILHA - Educação Ambiental, Desenvolvimento Pessoal e Resiliência.
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Publicado em:
http://www.latec.ufrj.br/revistas/index.php?journal=desenvolvimentopessoal&page=article&op=view&path%5B%5D=384&path%5B%5D=501

14 janeiro 2013

Resista




No Surrender
(Questions)


Another day, another fight. Another war, we've got to survive.
Nothing has changed, just getting worse. No one cares and no one to trust.
We gotta try before it's too late. We gotta find our way to escape.
Nothing will change until we give, give ourselves a chance to believe.

Believe that nothing is lost. No one can take it from us.
We can survive this war. No surrender!

Never give up until the end
Our only choice it to fight everyday
We must control our destiny
Come together if we want to be free
Now we gotta give a chance to believe
Got to be stronger than ever before
Nothing to fear if we stay united
We didn't choose to begin this war

The time is short, but I have no fear
The to move on, no matter what they do, no matter what they say
The time has come, time ti wake up.
It's up to us to believe
We've got the power now, the time has come.

Time
We can take control
Has come
Control our destiny


12 dezembro 2012

Canção do Tamoio - Ou, por que os cachorros latem e não mordem

"Não chores meu filho, não chores,
Que a vida é luta renhida, viver é lutar
A vida é combate
Que os fracos abate e 
que aos fortes e aos bravos
só pode exaltar" (Antonio Gonçalves Dias)

Quando prestei o serviço militar, no ano de 1979, fui designado para servir no 2º Batalhão de Guardas, onde fui treinado para ser um soldado da Infantaria. Tive o privilégio de ser corneteiro e, por causa disso, ficava mais perto do comando do que qualquer outro praça.

Já contei aqui várias histórias desse tempo e hoje quero compartilhar o sentimento de ser um guerreiro.

Antes de iniciar meus treinamentos no quartel, um outro caminho havia iniciado desde a minha infância: o Caminho Marcial. Comecei, aos 8 anos de idade, a treinar Judo e, depois de ter me mudado para São Paulo, conheci o Aikido. Aikido é uma arte marcial? Não, não é, apesar de ser derivado do Aiki Ju-jutsu. Aikido é um caminho marcial, uma filosofia de vida, que usa uma técnica para reeducação global do indivíduo. Somente depois de muitos anos estudando a teoria e a prática do Aikido é que o praticante pode realmente compreender a grandiosidade desse ensinamento de Morihei Ueshiba que explica a essência de todas as técnicas da arte, ou seja, o Kokyu, a alternância entre os contrários e a consequente harmonia que ocorre quando duas energias vibratórias se encontram, transformando-se numa só, também pulsante.

Tendo esse pensamento em mente e voltando no tempo de caserna, quero lembrar a primeira impressão que tive e que hoje entendo ser a expressão da raiva dos poderosos!

Fui recebido pelo então Tenente Silveira, um oficial de carreira, chefe da Segunda Seção do Batalhão, que me levou para fazer um teste na sala da banda (já contei isso aqui no primeiro post da série).
Percebi em seu rosto uma dureza. Dureza que me pareceu raiva. Ele carregava em sua face aquela expressão de "cachorro que quer te morder". Parecia que vivia preso à uma coleira e, assim que o dono o soltasse, ele pegaria pelo pescoço o primeiro que passasse diante dele. E essa expressão não mudava nunca. Nunca o vi sorrir. Sempre fazia as mesmas perguntas como a esperar que alguém caísse em contradição e ele pudesse "atacar"!

Essa é a expressão dos derrotados. Sim, podem até ser guerreiros, mas são guerreiros já derrotados, que lutam com os vitoriosos pelo poder que pensam que tem!

Transportando para os dias de hoje, podemos ver na oposição ao governo democrático em nosso país, as expressões acima descritas, reproduzidas em textos na mídia corporativa, em discursos de ódio aos avanços, pequenos ainda, mas iniciados no governo Lula e em andamento na atual administração.

Essas expressões demonstram o desespero daqueles que morrem de medo de perder o que tem. E o que tem? Eles tem a ilusão de que podem tudo, compram bens materiais, favores, amizades e o mundo, mas não compram a felicidade de uma vida simples e  o amor verdadeiro, aquele amor que dá tudo o que tem e segue o exemplo de simplicidade e pobreza de Jesus, Guandhi, Sidarta e muitos outros.

Podemos dizer que o mundo enfrenta uma guerra, e Marx classificou essa guerra como sendo uma luta entre as classes sociais. Sem entrar no mérito e sendo bem simples podemos dizer que o mundo sempre teve a formação, desde a história antiga, na Grécia, passando pela Época Medieval e chegando na Era Moderna, de uma divisão onde o poder é exercido por poucos e a força de trabalho exercida pela maioria. Isso gera uma desigualdade tamanha que deveria embrulhar o estômago de toda a humanidade (e na verdade embrulha o de muitos). Mas, como bem ilustrou Platão, somos condicionados e (mal) educados a viver como em uma caverna, sem ter a visão completa de toda a situação. Poucos são aqueles que se libertam da Matrix e compreendem que a humanidade vive hoje uma escravidão onde um punhado de poderosos controla o mundo pelo poder econômico e político.

Mas afinal o que é ser um guerreiro?

O caminho marcial tem um nome em japonês: bushidô. Ele é um código de honra não-escrito que rege a conduta dos samurais. Reunindo princípios do xintoísmo, budismo e confucionismo, o bushidô enfatizava valores como bravura, justiça, lealdade, autocontrole e senso de gratidão. Para os samurais, aperfeiçoar-se no manejo da espada era uma forma de fortalecer o espírito e alcançar essas virtudes. 

Para o guia espiritual do Escritor Carlos Castañeda "um Guerreiro é um caçador. Calcula tudo. Isso é controle. Mas, uma vez terminado seus cálculos, ele age. Entrega-se. Isso é abandono. Um Guerreiro não é uma folha à mercê do vento. Ninguém pode empurrá-lo; ninguém pode obrigá-lo a fazer coisas contra si mesmo ou contra o que ele acha certo. Um Guerreiro está preparado para sobreviver, e ele sobrevive da melhor maneira possível. "Carlos Castañeda (Don Juan Matus)"

Para mim, alem de tudo isso, o guerreiro é um artista e a maior de todas as artes é aquela que nos leva a realizar a felicidade no espírito, pois essa felicidade dá força e intensidade a toda nossa vida, tem o dom de propagar-se aos que amamos e iluminar quem caminha ao nosso lado.

Um dos maiores guerreiros samurais, se não o maior, foi Miamoto Musashi. Além de ter sido um duelista imbatível, Musashi também se dedicou a outras artes, como a pintura, caligrafia e a escultura, e chegou a escrever livros sobre esgrima e estratégia.

No Livro dos Cinco Anéis ele deixou registradas essas palavras: 

"A estratégia não exige nenhuma postura espiritual diferente da normalidade. Tanto na luta quanto na vida cotidiana você deve mostrar determinação aliada a calma. Enfrente a situação relaxado mas sem precipitações, com o espírito calmo mas não preconcebido. E lembre, também, que o relaxamento da mente não implica o relaxamento do corpo; e nem a mente pode se relaxar tanto a ponto de se tornar entorpecida.
Não permita que seu espírito seja influenciado por seu corpo, e nem que seu corpo seja influenciado por seu 
espírito. Não deixe que seu espírito se eleve demais; não deixe que ele se abata demais. Um espírito elevado é um espírito fraco; um espírito abatido é um espírito fraco. Não permita que o inimigo perceba seu espírito. As pessoas pequenas têm que se familiarizar completamente com o espírito das pessoas grandes, e as pessoas grandes com o espírito das pessoas pequenas. Seja qual for o seu tamanho, não se permita iludir com as reações do seu próprio corpo. Com o espírito aberto e livre, encare as coisas de um ponto de vista alto. É imprescindível cultivar a sabedoria e o espírito. Refine sua sabedoria: adquira mais conhecimentos sobre a justiça pública, aprenda a distinguir entre o bem e o mal, estude os Caminhos das diferentes artes, uma a uma. Quando não mais puder ser iludido pelos homens, você terá atingido a sabedoria da estratégia.                    A sabedoria da estratégia é diferente de tudo o mais. No campo de batalha, mesmo nas situações mais difíceis, aprofunde-se incessantemente nos princípios da estratégia para que seu espírito se torne cada vez mais forte."

Em meio à tempestade, à tormenta, aos ataques, o guerreiro sabe manter a calma e usar as energias negativas lançadas contra ele. Transforma tudo em coisa nova, vibrante, forte. E não guarda para si mesmo. Compartilha.

Compartilho com aqueles que chegaram até aqui meu sentimento de vitória. Sim. Mesmo sendo atacados por forças contrárias aos nossos objetivos e sonhos, somo vitoriosos pois temos a paz e a alegria de enfrentar esses "cachorros loucos", medrosos escondidos atrás de suas máscaras medonhas.
Não nos enganemos: eles é que tem medo de nós e por isso latem, rosnam, soltam fogo pelas narinas, mas não podem fazer nada contra a paz que existe em nosso interior.

E digo mais: podem vir, pois é dentro da tempestade que me sinto bem. É dentro da tormenta, da ventania, da batalha, que tenho a certeza de que estou fazendo bem, e muito bem, o meu papel. O universo me deu uma missão, e missão dada é missão cumprida!

Para inspirar aqueles que estão sem forças, transcrevo abaixo a letra e o vídeo da música Stormy high, da banda Black Mountain.


Whoaaah

The witch is on your trail, my lord
Stormy stormy high
You've been dying to be set free
Oh curse those honeyed hands

Whoaaah

It wasn't the doctors that finished the pills
He wants the ones that don't crack
But they're dangerous like barbed wire ties
Oh stormy stormy minds

Well, oh, it wasn't us, though, that torched to flames
The fried daughters of oh, no oh
Well you've been up since the last ???
You've been up for so long
Ohhhhh

Stormy stormy high


05 dezembro 2012

Carta aberta sobre a Palestina - Roger Waters (Pink Floyd)

Os artistas tiveram razão de recusar-se a actuar na estação de Sun City na África do Sul até que o apartheid caísse e que brancos e negros gozassem dos mesmos direitos. E nós temos razão de recusar actuar em Israel até que venha o dia – e esse dia virá seguramente – em que o muro da ocupação caia e os palestinos vivam ao lado dos israelitas em paz, liberdade, justiça e dignidade, que todos eles merecem.


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Em 1980, uma canção que escrevi, Another Brick in the Wall (Part 2), foi proibida pelo governo da África do Sul porque estava sendo usada por crianças negras sul-africanas para reivindicar o seu direito a uma educação igualitária. Esse governo de apartheid impôs um bloqueio cultural, por assim dizer, sobre algumas canções, incluindo a minha.

Vinte e cinco anos mais tarde, em 2005, crianças palestinas que participavam num festival na Cisjordânia usaram a canção para protestar contra o muro do apartheid israelita. Elas cantavam: “Não precisamos da ocupação! Não precisamos do muro racista!” Nessa altura, eu não tinha ainda visto com os meus olhos aquilo sobre o que elas cantavam.
Um ano mais tarde, em 2006, fui contratado para atuar em Telavive.

Palestinos do movimento de boicote acadêmico e cultural a Israel exortaram-me a reconsiderar. Eu já tinha me manifestado contra o muro, mas não tinha a certeza de que um boicote cultural fosse a via certa. Os defensores palestinos de um boicote pediram-me que visitasse o território palestino ocupado para ver o muro com os meus olhos antes de tomar uma decisão. Eu concordei.

Sob a protecção das Nações Unidas, visitei Jerusalém e Belém. Nada podia ter-me preparado para aquilo que vi nesse dia. O muro é um edifício revoltante. Ele é policiado por jovens soldados israelitas que me trataram, observador casual de um outro mundo, com uma agressão cheia de desprezo. Se foi assim comigo, um estrangeiro, imaginem o que deve ser com os palestinos, com os subproletários, com os portadores de autorizações. Soube então que a minha consciência não me permitiria afastar-me desse muro, do destino dos palestinos que conheci, pessoas cujas vidas são esmagadas diariamente de mil e uma maneiras pela ocupação de Israel. Em solidariedade, e de alguma forma por impotência, escrevi no muro, naquele dia: “Não precisamos do controle das ideias”.

Tomando nesse momento consciência que a minha presença num palco de Telavive iria legitimar involuntariamente a opressão que estava a testemunhar, cancelei o concerto no estádio de futebol de Telavive e mudei-o para Neve Shalom, uma comunidade agrícola dedicada a criar pintinhos e também, admiravelmente, à cooperação entre pessoas de crenças diferentes, onde muçulmanos, cristãos e judeus vivem e trabalham lado a lado em harmonia.

Contra todas as expectativas, ele tornou-se no maior evento musical da curta história de Israel. 60.000 fãs lutaram contra engarrafamentos de trânsito para assistir. Foi extraordinariamente comovente para mim e para a minha banda e, no fim do concerto, fui levado a exortar os jovens que ali estavam agrupados a exigirem ao seu governo que tentasse chegar à paz com os seus vizinhos e que respeitasse os direitos civis dos palestinos que vivem em Israel.

Infelizmente, nos anos que se seguiram, o governo israelita não fez nenhuma tentativa para implementar legislação que garanta aos árabes israelitas direitos civis iguais aos que têm os judeus israelitas, e o muro cresceu, inexoravelmente, anexando cada vez mais da faixa ocidental.
Aprendi nesse dia de 2006 em Belém alguma coisa do que significa viver sob ocupação, encarcerado por trás de um muro. Significa que um agricultor palestino tem de ver oliveiras centenárias ser arrancadas. Significa que um estudante palestino não pode ir para a escola porque o checkpoint está fechado. Significa que uma mulher pode dar à luz num carro, porque o soldado não a deixará passar até ao hospital que está a dez minutos de estrada. Significa que um artista palestino não pode viajar ao estrangeiro para exibir o seu trabalho ou para mostrar um filme num festival internacional.

Para a população de Gaza, fechada numa prisão virtual por trás do muro do bloqueio ilegal de Israel, significa outra série de injustiças. Significa que as crianças vão para a cama com fome, muitas delas malnutridas cronicamente. Significa que pais e mães, impedidos de trabalhar numa economia dizimada, não têm meios de sustentar as suas famílias. Significa que estudantes universitários com bolsas para estudar no estrangeiro têm de ver uma oportunidade escapar porque não são autorizados a viajar.

Na minha opinião, o controle repugnante e draconiano que Israel exerce sobre os palestinos de Gaza cercados e os palestinos da Cisjordânia ocupada (incluindo Jerusalém oriental), assim como a sua negação dos direitos dos refugiados de regressar às suas casas em Israel, exige que as pessoas com sentido de justiça em todo o mundo apoiem os palestinos na sua resistência civil, não violenta.

Onde os governos se recusam a atuar, as pessoas devem fazê-lo, com os meios pacíficos que tiverem à sua disposição. Para alguns, isto significou juntar-se à Marcha da Liberdade de Gaza; para outros, juntar-se à flotilha humanitária que tentou levar até Gaza a muito necessitada ajuda humanitária.

Para mim, isso significa declarar a minha intenção de me manter solidário, não só com o povo da Palestina, mas também com os muitos milhares de israelitas que discordam das políticas racistas e coloniais dos seus governos, juntando-me à campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel, até que este satisfaça três direitos humanos básicos exigidos na lei internacional.

1. Pondo fim à ocupação e à colonização de todas as terras árabes [ocupadas desde 1967] e desmantelando o muro;

2. Reconhecendo os direitos fundamentais dos cidadãos árabe-palestinos de Israel em plena igualdade; e

3. Respeitando, protegendo e promovendo os direitos dos refugiados palestinos de regressar às suas casas e propriedades como estipulado na resolução 194 da ONU.

A minha convicção nasceu da ideia de que todas as pessoas merecem direitos humanos básicos. A minha posição não é anti-semita. Isto não é um ataque ao povo de Israel. Isto é, no entanto, um apelo aos meus colegas da indústria da música e também a artistas de outras áreas para que se juntem ao boicote cultural.
Os artistas tiveram razão de recusar-se a atu
ar na estação de Sun City na África do Sul até que o apartheid caísse e que brancos e negros gozassem dos mesmos direitos. E nós temos razão de recusar atuar em Israel até que venha o dia – e esse dia virá seguramente – em que o muro da ocupação caia e os palestinos vivam ao lado dos israelitas em paz, liberdade, justiça e dignidade, que todos eles merecem.

28 novembro 2012

Evento de lançamento do Projeto Caminhos da Serra do Mar

Venho convidá-los a participar do evento de lançamento do Projeto Caminhos da Serra do Mar, que acontecerá no PARNASO - Parque Nacional da Serra dos Órgãos, sede Teresópolis, dia 07 de dezembro de 2012, as 19 horas.

No dia 08 realizaremos o primeiro mutirão voluntário dos Caminhos, com a realização da sinalização rústica da trilha Uricanal, um dos trechos dos caminhos.



23 novembro 2012

Palestra sobre o método self-healing – Cristina Haguenauer

O SESC Teresópolis apresenta neste sábado, dia 24, 18 horas, palestra da Professora Cristina Haguenauer sobre o método Self Healing. O método foi desenvolvido por Meir Schneider e foca a capacidade do corpo na autocura a partir de movimentos suaves, combinados com massagem, alongamento, respiração e visualização.
A participação é gratuita com classificação de 14 anos.

Veja a programação do SESC Teresópolis aqui.

22 novembro 2012

Impressionismo, Paris e a modernidade - Exposição no CCBB Rio



Impressionismo: Paris e a Modernidade

23 Out a 13 Jan
Local: 1º e 2º andar | CCBB RJ 
Horário: Terça a domingo, das 9h às 21h 


Obra 'La salle de danse à Arles' do pintor impressionista Vincent Van Gogh


O Impressionismo foi um movimento artístico surgido na França no fim do século XIX. É considerado como o marco inicial da arte moderna. Seu nome deriva de uma obra de Monet intitulada “Impressão, nascer do sol (1872).
As principais características do impressionismo nas artes plásticas são:
· Ênfase nos temas da natureza;
· Técnicas de pintura que valorizam  a ação da luz natural;
· Pinceladas soltas, as vezes somente pontos, que buscam os movimentos da cena retratada;

A exposição Impressionismo, Paris e a modernidade, trouxe uma coleção de 85 obras do Museu d’Orsay de Paris. As obras expostas são de autoria de Edouard Manet, Claude Monet, Auguste Renoir, Edgard Degas, Paul Gauguin, dentre outros menos “famosos” como Alfred Setevens, Berthe Morisot e 1 (um), sim, isso mesmo, apenas um quadro do meu pintor preferido, Vincent Van Gogh.
Confesso que fiquei frustrado por dois motivos:
O primeiro, e não é culpa dos organizadores, foi o fato de somente um quadro de Van Gogh estar exposto, sendo que a maioria de suas obras estão no museu que leva seu nome, na Holanda, http://www.vangoghmuseum.nl, onde há uma exposição permanente de mais de 200 pinturas do artista. Meu consolo é assistir mais uma vez o filme Sonhos, de Akira Kurosawa, onde o caminhante solitário entra (literalmente) nas obras do pintor e o encontra, na engraçada e magnífica atuação do próprio Martin Scorsese, em um imenso campo de trigo, munido de sua tela, tintas, pincéis e já sem uma das orelhas, a procurar uma posição que mais lhe agrade, onde o sol possa produzir o melhor efeito aos seus olhos.
A segunda frustração foi em relação à iluminação usada. Entendo que esses quadros são, digamos, velhos, suas tintas não eram as modernas tintas que demoram mais ou não se degradam com o tempo. Se fossem usadas, penso eu, luzes mais fortes, talvez eu conseguisse enxergar as texturas que consegui ver em alguns e não percebi em outros, cujas telas tinham um vidro protetor. Esses, com o vidro protetor, tinham um brilho não natural, refletido das luzes e que davam a impressão de que alguém jogou um pouco de glitter nas obras. Tudo bem, estou ficando velho, já passei dos 50 e meus óculos estão com a validade vencida, mas, quem sabe, se usassem luzes mais intensas que não causassem danos aos quadros, eu poderia ter apreciado melhor a exposição.
Claro que fiquei impressionado (sem trocadilho) com várias obras, dentre as quais as Dançarinas na escada, de Degas e um imenso quadro com uma paisagem rural, o autor não anotei e não me lembro agora, diante do qual fiquei sentado no banco em frente a apreciar como se lá estivesse, sentindo a brisa e a ver as nuvens ao longe, mudando de forma.
Lembro-me da exposição de Salvador Dali, que fui ver entre 1998 e 2000, no MASP, logo após a mesma exposição ter passado pelo Museu Nacional de Belas Artes – MNBA (não tenho certeza das datas, já faz tempo isso). Nessa exposição havia luz, natural e artificial e eu pude ver, bem melhor, cada detalhe de seus quadros, esculturas, figurinos e até de um gigantesco painel, que era o cenário de uma peça de Federico Garcia Lorca.
Depois dessa rápida visita aos quadros da exposição, fomos, eu e os outros alunos, ao momento de intercâmbio de experiências chamado de Visitas Virtuais, onde conhecimento e percepções sobre as obras expostas na mostra foram trabalhadas na construção coletiva de um grande painel com pequenos trabalhos feitos em massa de modelar. Eu, particularmente, gostei mais dessa atividade, talvez por ter interagido com os colegas e termos produzido algo palpável. Creio que esse momento foi mais interessante por que nós fomos os autores (e atores) principais de uma obra que, mesmo não sendo de nossa autoria, foi completada pelas nossas mãos e criatividade.