Cuidado com os burros motivados

06 janeiro 2014
A revista Isto é publicou esta entrevista por Camilo Vanucci, gostei e resolvi compartilhar.

O entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional.

Em “Heróis de Verdade”, o escritor combate a supervalorização das Aparências, diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima.

ISTOÉ – QUEM SÃO OS HERÓIS DE VERDADE?

Roberto Shinyashiki — Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe.

O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura.
Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes.

E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados.
Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa.

Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes.

Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros.

São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.

ISTOÉ — O SR. CITARIA EXEMPLOS?

Shinyashiki — Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos,empregado em uma farmácia .

Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis.

Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem.

Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito “100% Jardim Irene”.

É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes.

O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana.

Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata?

Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.

ISTOÉ — Qual o resultado disso?

Shinyashiki — Paranóia e depressão cada vez mais precoces.

O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim.
Aos nove ou dez anos a depressão aparece.

A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança.
Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos.
Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas.
Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

ISTOÉ – Por quê?

Shinyashiki — O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento.

É contratado o sujeito com mais marketing pessoal.

As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência.
Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras.

Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa.

Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei-a na hora.
Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

ISTOÉ — Há um script estabelecido?

Shinyashiki — Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um Presidente de multinacional no programa O aprendiz ?
“Qual é seu defeito?”

Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal:
“Eu mergulho de cabeça na empresa.
Preciso aprender a relaxar”.
É exatamente o que o Chefe quer escutar.

Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido?

É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder.
O vice-presidente de uma as maiores empresas do planeta me disse:

” Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir”.
Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor?

ISTOÉ — Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?

Shinyashiki — Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento.

Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência.

CUIDADO COM OS BURROS MOTIVADOS.

Há muita gente motivada fazendo besteira.

Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado.
Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão.

Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado.

Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia.

O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.

ISTOÉ — Está sobrando auto-estima?

Shinyashiki — Falta às pessoas a verdadeira auto-estima.
Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa.

Antes, o ter conseguia substituir o ser.
O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom.

Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer.

As pessoas parecem que sabem, parece que fazem, parece que acreditam.

E poucos são humildes para confessar que não sabem.

Há muitas mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim.
Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.

ISTOÉ — Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?

Shinyashiki — Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis.

Quem vai salvar o Brasil? O Lula.
Quem vai salvar o time? O técnico.
Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta.

O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia:

“Quando você quiser entender a essência do ser
humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham”.
Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia.
Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo.

A gente tem de parar de procurar super-heróis. Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.

ISTOÉ — O conceito muda quando a expectativa não se comprova?

Shinyashiki — Exatamente.
A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso.

Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar
suas vidas e se decepcionaram.

A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.

ISTOÉ — Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?

Shinyashiki — Tenho minhas angústias e inseguranças.
Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente.
Há várias coisas que eu queria e não consegui.
Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos).

Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos.
Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse.
Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo.

O resto foram apostas e erros.
Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo.

Um amigão me perguntou:
” Quem decidiu publicar esse livro?”
Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu.
Não preciso mentir.

ISTOÉ – Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?

Shinyashiki — O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las.

São três fraquezas.

A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança.

Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram.
Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno.

Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards.
Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates.

O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.

ISTOÉ — Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?

Shinyashiki — A sociedade quer definir o que é certo.

São quatro loucuras da sociedade.
A primeira é instituir que todos têm de ter
sucesso, como se ele não tivesse significados individuais.

A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias.

A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder.

O resultado é esse consumismo absurdo.

Por fim, a quarta loucura:
Você tem de fazer as coisas do jeito certo.

Jeito certo não existe!

Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade.

Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito.

Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento.

Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema.

Quando era recém-formado em São Paulo,
trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes.

Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte.
A maior parte pega o médico pela camisa e diz:

“Doutor, não me deixe morrer.
Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz”.
Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada.

Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas.

Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida .

Fonte: Revista Isto É

Há de se cuidar da amizade e do amor

30 dezembro 2013
Por Leonardo Boff

A amizade e o amor constituem as relações maiores e mais realizadores que o ser humano, homem e mulher, pode experimentar e desfrutar. Mesmo o místico mais ardente só consegue uma fusão com a divindade através do caminho do amor. No dizer de São João da Cruz, trata-se da experiência da “a amada (a alma) no Amado transformada”. Há vasta literatura sobre estas duas experiências de base. Aqui restringimo-nos ao mínimo. A amizade é aquela relação que nasce de uma ignota afinidade, de uma simpatia de todo inexplicável, de uma proximidade afetuosa para com a outra pessoa. Entre os amigos e amigas se cria uma como que comunidade de destino. A amizade vive do desinteresse, da confiança e da lealdade. A amizade possui raízes tão profundas que, mesmo passados muitos anos, ao reencontrarem-se os amigos e amigas, os tempos se anulam e se reatam os laços e até se recordam da última conversa havida há muito tempo.
Cuidar da amizade é preocupar-se com a vida, as penas e as alegrias do amigo e da amiga. É oferecer-lhe um ombro quando a vulnerabilidade o visita e o desconsolo lhe oculta as estrelas-guias. É no sofrimento e no fracasso existencial, profissional ou amoroso que se comprovam os verdadeiros amigos e amigas. Eles são como uma torre fortíssima que defende o frágil castelo de nossas vidas peregrinas.
A relação mais profunda é a experiência do amor. Ela traz as mais felizes realizações ou as mais dolorosas frustrações. Nada é mais misterioso do que o amor. Ele vive do encontro entre duas pessoas que um dia cruzarem seus caminhos, se descobriram no olhar e na presença e viram nascer um sentimento de enamoramento, de atração, de vontade de estar junto até resolverem fundir as vidas, unir os destinos, compartir as fragilidades e as benquerenças da vida. Nada é comparável à felicidade de amar e de ser amado.  E nada há de mais desolador, nas palavras do poeta Ferreira Gullar, do que não poder dar amor a quem se ama.
Todos esses valores, por serem os mais preciosos, são também os mais frágeis porque mais expostos às contradições da humana existência.
Cada qual é portador de luz e de sombras, de histórias familiares e pessoais diferentes, cujas raízes alcançam arquétipos ancestrais, marcados por experiências bem sucedidas ou trágicas que deixaram marcas na memória genética de cada um.
O amor é uma arte combinatória de todos estes fatores, feita com sutileza que demanda capacidade de compreensão, de renúncia, de paciência e de perdão e, ao mesmo tempo, comporta o desfrute comum do encontro amoroso, da intimidade sexual, da entrega confiante de um ao outro. A experiência do amor serviu de base para entendermos a natureza de Deus: Ele é amor essencial e incondicional.
Mas o amor sozinho não basta. Por isso São Paulo em seu famoso hino ao amor, elenca os acólitos do amor sem os quais ele não consegue subsistir e irradiar. O amor tem que ser paciente, benigno, não ser ciumento, nem gabar-se, nem ensoberbecer-se, não procurar seus interesses, não se ressentir do mal…o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta…o amor nunca se acaba (1Cor 13, 4-7). Cuidar destes acompanhates do amor é fornecer o húmus necessário para que o amor seja sempre vivo e não morra pela indiferença. O que se opõe ao amor não é o ódio mas a indiferença.
Quanto mais alguém é capaz de uma entrega total, maior e mais forte é o amor. Tal entrega supõe extrema coragem, uma experiência de morte pois não retém nada para si e mergulha totalmente no outro. O homem possui especial dificuldade para esta atitude extrema, talvez pela herança de machismo, patriarcalismo e racionalismo de séculos que carrega dentro de si e que lhe limita a capacidade desta confiança extrema.
A mulher é mais radical: vai até o extremo da entrega no amor, sem resto e sem retenção. Por isso seu amor é mais pleno e realizador e, quando se frustra, a vida revela contornos de tragédia e de um vazio abissal.
O segredo maior para cuidar do amor reside no singelo cuidado da ternura.  A ternura vive de gentileza, de pequenos gestos que revelam o carinho, de sacramentos tangíveis, como recolher uma concha na praia e levá-la à pessoa amada e dizer-lhe que, naquele momento, pensou carinhosamente nela.
Tais “banalidades” tem um peso maior que a mais preciosa joia. Assim como uma estrela não brilha sem uma atmosfera ao seu redor, da mesma forma, o amor não vive sem um aura de enternecimento, de afeto e de cuidado.
Amor e cuidado formam um casal inseparável. Se houver um divórcio entre eles, ou um ou outro morre de solidão. O amor e o cuidado constituem uma arte. Tudo o que cuidamos também amamos. E tudo o que amamos também cuidamos.
Tudo o que vive tem que ser alimentado e sustentado. O mesmo vale para o amor e para o cuidado. O amor e o cuidado se alimentam da afetuosa preocupação de um para com o outro. A dor e a alegria de um é a alegria e a dor do outro.
Para fortalecer a fragilidade natural do amor precisamos de Alguém maior, suave e amoroso, a quem sempre podemos invocar. Daí a importância dos que se amam, de reservarem algum tempo de abertura e de comunhão com esse Maior, cuja natureza é de amor, aquele amor, que segundo Dante Alighieri da Divina Comédia “move o céu e as outras estrelas” e nós acrescentamos: que comove os nossos corações.
Leonardo Boff é autor de O Cuidado necessário, Vozes 2012.

A História da Água Engarrafada

07 novembro 2013
Annie Leonard, a produtora de A História das Coisas e A História do Cap and Trade, lançou no Dia Mundial da Água o seu novo documentário: The Story of Bottled Water (ou, em tradução livre, A História da Água Engarrafada).
O vídeo, com duração de oito minutos, questiona a falta de consciência ecológica dos cidadãos que compram garrafas de água enquanto poderiam beber água tratada. Annie também apresenta o dano que essa prática causa ao planeta, como o aumento da poluição e o mal uso de dinheiro.


Os argumentos do documentário estão baseados em:
   - pesquisas científicas comprovam que água em garrafa muitas vezes tem menor qualidade do que a filtrada;
   - testes de opinião pública mostram a água tratada como de "gosto mais puro" que a mineral;
   - a água armazenada em garrafas plásticas pode custar até 2 mil vezes mais que a tratada.
O vídeo mostra que tudo isso só acontece porque as empresas que "fabricam" a água engarrafada precisam continuar crescendo, então eles investem em propagandas que moldem a atitude das pessoas em relação ao consumo de água. Por consequência, fazem uma imagem negativa da água filtrada.
"Elas dizem que a água tratada não é pura, seduzem o cliente com uma imagem de água de 'fonte limpa e bem cuidada' e, além disso, as águas engarrafadas são constantemente associadas a pessoas de boa condição financeira", são outros argumentos de Annie.
Outro dado alarmante é o da poluição. O "lixo" resultado da indústria de garrafas de plástico é grande suficiente para dar cinco voltas redor do mundo. A indústria da água polui tanto quanto qualquer outra - gasta energia, transporte e ainda produz lixo que nem sempre é reciclado. Annie completa que, geralmente, as garrafas plásticas vão para lixões ou são enceneradas, muito raro, são recicladas.
Como solução para o problema, o vídeo estimula os cidadãos a dizerem não para a água engarrafada e a encorajarem os políticos a investirem em tratamento de água e prevenção da poluição dos rios. Ele incentiva do uso de bebedouros e o boicote às garrafas de água nas escolas, nas organizações e em toda a cidade.
Mas Annie também traz estatísticas confortantes. Ela informa uma diminuição no índice de uso de águas engarrafadas - dados comprovam que restaurantes se preocupam mais com a venda de garrafas de água e que muitos consumidores usam a garrafa apenas como refil, enchendo-as com água tratada todo o tempo, pois escolheram poupar o dinheiro da compra.
O vídeo termina com a seguinte afirmativa: "carregar uma garrafa de água é tão ruim quanto uma grávida fumar cigarro". E conclui: "Nós não vamos mais seguir as demandas do mercado, vamos escolher as nossa próprias demandas, e a nossa demanda será: água limpa e segura para todos".

Fonte: EcoDesenvolvimento

Eduardo Galeano: Para que serve a utopia

A Utopia está no horizonte. Eu sei muito bem que nunca a alcançarei. Se eu caminho dez passos, ela se distanciará dez passos. Quanto mais a procure, menos a encontrarei. Qual sua utilidade, então? A utopia serve para isso, PARA CAMINHAR!

Nenhum um ser humano vai sobrar

18 julho 2013
Poeira cinzenta
Clareira de destruição
Uma visão
Do progresso
Diante
De um impactante
Visual

Complexo
Póli poluidor
Devastador

Morte feia
De olhos
Negrume
Morte feia de óleo e
Negrume

Madeira queimada
Fogueira só de maldição
Uma visão
Do progresso
Diante
De um impactante
Visual

Sem nexo
Pó de muitas vidas
Devastador

Morte feia
De olhos
Negrume
Morte feia de óleo e
Negrume

Quero ver quando o bicho pegar
Nenhum um ser humano vai sobrar
Quero ver mas não quero estar
Porque nenhum ser humano vai sobrar

O Rochedo

Daqui
Da montanha
Vejo o Cruzeiro do Sul
Sei que posso saber
O meu norte
Você me ajuda
A compreender mais
E mais disso

De noite ou de dia
Indo embora
Ou chegando
O sol aquece meu corpo
E você o meu coração

A rocha
O granito
Do grande rochedo
Na Serra dos Órgaos
Me da segurança
De pés bem plantados
Em chão que é regado a
Sangue do trabalhador

Operário
Que sua seu salário mínimo
Em troca de paz
Uma paz
Que é inalcançada

Se escalo, caminho e descanço
Debaixo de um fino teto
Barraca guerreira
Será meu abrigo
Na rua ou no campo
Diante da estagnação

A terra foi feita do fogo
O fogo derreteu a rocha
O que antes não tinha forma
Derretido, líquido, ardente
Um inferno de fogo
A queimar no espaço
Secou
Esfriou
Apareceu a forma
De rocha
Esculpida
E admirada de dentro do humano
Beleza aliada
Ao que posso dizer
Ser
Amor

E, em São Paulo, o Facebook e o Twitter foram às ruas. Literalmente

21 junho 2013
Os atos contra o aumento nas tarifas dos ônibus trouxeram centenas de milhares às ruas. Que defendiam a ideia e discordavam da violência com a qual manifestantes e jornalistas haviam sido espancados e presos pela Polícia Militar. Uma massa heterogênea, descontente, sob um guarda-chuva de uma pauta bastante concreta e objetiva. Que  foi atendida.
A manifestação de segunda, gigantesca, acabou por mudar o perfil dos que estavam protestando em favor da tarifa. O chamado feito pela redes sociais trouxe as próprias redes sociais para a rua. Quem não percebeu que boa parte dos cartazes eram comentários de Facebook e Twitter?
Portanto, nem todos os que foram às ruas são exatamente progressistas. Aliás, o Brasil é bem conservador – da “elite branca” paulistana à chamada “nova classe média” que ascendeu socialmente tendo como referências símbolos de consumo (e a ausência deles como depressão). É uma população com 93% a favor da redução da maioridade penal. Que acha que a mulher não é dona de seu corpo. Que é contra o casamento gay. Que tem nojo dos imigrantes pobres da América do Sul. Que apoia o genocídio de jovens negros e pobres nas periferias das grandes cidades. Ou seja, não é porque centenas de milhares foram às ruas por uma pauta justa que a realidade mudou e vivemos agora em uma comunidade de Ursinhos Carinhosos.
E dentre os conservadores, temos os que radicalizam. Seja por ignorância, seja por opção.
Desde que o quinto ato contra as passagens foi anunciado, grupos conservadores se organizaram na internet para pegar carona no ato. Lá chegando, foram colocando as mangas de fora com suas pautas paralelas. Na convocação do sétimo ato, isso ficou bem evidente. Estavam aos milhares na Paulista e arredores, mas ainda minoria em comparação ao total de participantes. Mas uma ruidosa, chata e violenta minoria. Com um discurso superficial, que cola fácil, traz adeptos. Parte deles usava o verde-amarelo, lembrando os divertidos e emocionantes dias com os amigos em que se pode ver os jogos da Copa do Mundo.
Nesta quinta (20), esse grupo sentiu-se à vontade para agir em público exatamente da mesma forma que já fazia nas áreas de comentários de blogs e nas redes sociais, mas sob o anonimato. Com isso, parte desse pessoal começou um ataque verbal e físico a militantes de partidos e sindicalistas presentes no ato.
Engana-se, porém, quem diz que essa era uma massa fascista uniforme. Havia, sim, um pessoal dodói da ultradireita, que enxerga comunismo em ovo e estava babando de raiva e louco para derrubar um governo. Que tem saudades de 1964 e fotos de velhos generais de cueca na parede do quarto. Essa ultradireita se utiliza da violência física e da intimidação como instrumentos de pressão e que, por menos numerosos que sejam, causam estrago. Estão entre os mais pobres (neonazistas, supremacia branca e outras bobagens), mas também os mais ricos – com acesso a recursos midiáticos e dinheiro. A saída deles do armário e o seu ataque a manifestantes ligados a partidos foi bastante consciente
Mas um grupo, principalmente de jovens, precariamente informado, desaguou subitamente nas manifestações de rua, sem nenhuma formação política, mas com muita raiva e indignação, abraçando a bandeira das manifestações. A revolta destes contra quem portava uma bandeira não foi necessariamente contra partidos, mas a instituições tradicionais que representam autoridade como um todo. Os repórteres da TV Globo, por exemplo, não estão conseguindo nem usar o prisma com a marca da emissora na cobertura – e não é só por conta de militantes da esquerda. Alckmin e Haddad, que demoraram demais para tomar a decisão de revogar e frear o caldo que entornava, ajudaram a agravar a situação de descontentamento com a classe política. “Que se vão todos”, pensam esses jovens. “Não precisamos de partidos para resolver nossos problemas”, dizem outros, que não conhecem a história recente do Brasil. “Políticos são um câncer”, que colocam todo mundo no mesmo balaio de gatos.
Elas não entendem que a livre associação em partidos e a livre expressão são direitos humanos e que negá-los é equivalente a um policial militar dar um golpe de cassetete em um manifestante pacífico.
Conversei com muitos deles que pediam “abaixo os partidos políticos”, pauta que comecei a ouvir na segunda (17), quando aquele perfil diferente de manifestante engrossou os atos (lembrem-se, eu sou o #chatodepasseata, adoro cutucar). Perguntei o porquê dessa agressividade. Depois de cinco minutos, eles mesmos percebiam que não sabiam me responder a razão. Compravam um discurso fácil guiado pela indignação.
Dentre esses indignados que foram preparados, ao longo do tempo, pela família, pela escola, pela igreja e pela mídia para tratarem o mundo de forma conservadora, sem muita reflexão, tem gente simplesmente com muita raiva de tudo e botando isso para fora. O PSDB tem culpa nisso. O PT tem culpa nisso. Pois, a questão não é só garantir emprego e objetos de consumo. Sinto que eles querem sentir que poderão ser protagonistas de seu país e de suas vidas. E vêm as classe política e as instituições que aí estão como os problemas disso.
Aí reside um problema. Porque não se joga a criança fora porque a água do banho está suja. E não se expulsa políticos ou partidos do processo democrático por vias autoritárias – por mais que o sangue suba à cabeça.
Os mais jovens não conhecem o valor das lutas que trouxeram a sociedade até aqui – e não fizemos questão de mostrar isso a eles. Muito menos que os mais velhos foram protagonistas dessas lutas. Eles não precisam ser mitificados (não gosto de heróis), mas também não podem ser desprezados. Pois, se daqui em diante, caminhos podem ser pavimentados é porque alguém abriu a estrada e nos trouxe até aqui.
É claro que os grupos conservadores mais radicais estão se aproveitando desse momento e botando lenha nesse descontentamento, apontando como culpados a classe política que está no poder e suas instituições. Flertam com ações autoritárias e, é claro, adorariam desestabilizar as instituições.
Não temos uma prática de debate político público como em outros lugares. Se, de um lado, vamos ter que aprender a conviver com passeatas conservadoras sem achar que vai rolar uma nova Macha da Família com Deus pela Liberdade nos moldes daquela que nos levou à Grande Noite, de outro, os reacionários extremistas vão ter que aprender a ser portar com decência – coisa que, nas redes sociais, já provaram que são incapazes de fazer.
O desafio é que, diante de comportamentos questionáveis e pouco democráticos desses jovens conservadores, externamos o nosso desprezo e nossa raiva. Podemos ignorá-los, enquanto crescem em número. Ou podemos conquistá-los para o diálogo e não o confronto.
Até porque, precisam compreender, por exemplo, que “o povo não acordou” agora. Quem acordou foi uma parte. Outra parte nunca dormiu, afinal não tinha cama para tanto. No campo, marchas reúnem milhares de pobres entre os mais pobres, que pedem terra plantar e seus territórios ancestrais de volta – grupos que são vítimas de massacres e chacinas desde sempre. Ao mesmo tempo, feministas, negros, gays, lésbicas, sem-teto sempre denunciaram a violação de seus direitos pelos mesmos fascistas que, agora, tentam puxar a multidão para o seu lado.
Enfim, o grosso do povo mesmo vai acordar quando a maioria pobre deste país perceber que é explorada sistematicamente. Quando isso acontecer, vai ser lindo.
Muitos desses jovens estão descontentes, mas não sabem o que querem. Sabem o que não querem. Neste momento, por mais agressivos que sejam, boa parte deles está em êxtase, alucinada com a rua e com o poder que acreditam ter nas mãos. Mas ao mesmo tempo com medo. Pois cobrados de uma resposta sobre sua insatisfação, no fundo, no fundo, conseguem perceber apenas um grande vazio.
O fato é que há um déficit de democracia participativa que vai ter que ser resolvido. Só votar e esperar quatro anos não adianta mais. Uma reforma política, que inclua ferramentas de participação popular, pode ser a saída. Lembrando que aumentar a democracia participativa não é governar por plebiscito – num país como o nosso, isso significaria que os direitos das minorias seriam esmagados feito biscoito. Como deu para ver em alguns momentos, nesta quinta, na avenida Paulista.
O momento é de respirar, ter calma, dialogar. Mas não abandonar o bom debate.

A São Paulo que ainda existe desde 1979

24 fevereiro 2013


Li em algum lugar que um repórter perguntou a Che Guevara se ele tinha carro, no que o comandante respondeu: Tenho pernas!
Sou um andarilho nato, desde criança caminho muito. Sempre gostei de andar. E ando muito até os dias de hoje!
Mas não me conformo com o teclado do notebook a falhar...
Por algum motivo algumas teclas estão inutilizadas. Creio que seja por causa de algum problema de hardware. E eu tenho que usar o teclado virtual do rwindows!
Mas vou nessa, a andar por trilhas ainda não abertas (pelo menos por mim... ainda).
E lembro-me daquele pastel singular, feio pelo japonês da Kombi na feira do bairro paulistano de Santo Amaro, mais precisamente na Granja Julieta, onde os alemães tinham as melhores casas e eu, adolescente dependente, ainda estudava para não sei o quê!
Era e foi o melhor pastel que já provei até hoje! Nem os chineses da famosa pastelaria de Teresópolis fazem um pastel tão bom (e olha que os chineses dominarão o mundo!).
Ainda hoje, quando quero comer um bom pastel espero pela época em que, depois de muito trabalhar, vou a São Paulo treinar Aikido no dojo do meu Sensei, Wagner Bull, e aproveito para dar uma voltinha pelas regiões que conheci quando adolescente.
Uma dessas regiões é a Granja Julieta, antigo bairro de “gringos”, como eram chamados os estrangeiros, maioria alemães, moradores daquela região.
Não existem mais alemães na Granja Julieta! Foram todos expulsos pelos assaltantes e ladrões que invadiam suas casas, avisados pelos policiais coniventes com os bandidos, de que os proprietários tinham ido viajar!
Eu mesmo (me arrisco aqui) presenciei um X9 a conversar com Policiais Civis em 1979, dando todo o serviço de casas vagas onde seus habitantes, funcionários de multinacionais, haviam viajado em gozo de suas férias, para que pudessem fazer a limpa, à procura de dinheiro e bens materiais que seriam vendidos e revertidos em espécie!
Bons tempos aqueles, em 1979, quando servi o Exército, em plena ditadura militar, onde podia comer meu pastel tranquilo, numa cidade segura, sem corrupção nem criminalidade!
Essa era a São Paulo da “Revolução”! Essa era a São Paulo da TFP que fazia semanalmente aquelas manifestações em defesa da família e da propriedade! Essa era a São Paulo de Maluf, governador biônico.  Essa era a São Paulo de um Brasil que...
Ainda existe!!!

O Desenvolvimento da Resiliência Por Meio de Caminhadas de Pequeno e Longo Curso – Trekking

31 janeiro 2013
É com muita alegria que posto aqui minha estreia na produção acadêmica, meu primeiro artigo científico, publicado na Revista de Desenvolvimento Pessoal do Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro - LATEC-UFRJ:
_________________________________________________________


O DESENVOLVIMENTO DA RESILIÊNCIA ATRAVÉS DE CAMINHADAS DE PEQUENO E LONGO CURSO – TREKKING

Alfredo José Rebello

Resumo

Este artigo apresenta o conceito de resiliência com enfoque para o desenvolvimento desta competência em praticantes de caminhadas de pequeno e de longo curso. Veremos como esta competência pode ser desenvolvida a partir da capacidade de resposta de um sujeito aos desafios e dificuldades que essas caminhadas apresentam e como o praticante reage aos estímulos, desenvolvendo a capacidade de recuperação diante de desafios e de circunstâncias desfavoráveis.
Palavras Chave: Resiliência, Esportes de Aventura, Superação







Leia o Artigo na versão completa publicado em:
http://www.latec.ufrj.br/revistas/index.php?journal=desenvolvimentopessoal&page=article&op=view&path%5B%5D=384&path%5B%5D=501

Resista

14 janeiro 2013



No Surrender
(Questions)


Another day, another fight. Another war, we've got to survive.
Nothing has changed, just getting worse. No one cares and no one to trust.
We gotta try before it's too late. We gotta find our way to escape.
Nothing will change until we give, give ourselves a chance to believe.

Believe that nothing is lost. No one can take it from us.
We can survive this war. No surrender!

Never give up until the end
Our only choice it to fight everyday
We must control our destiny
Come together if we want to be free
Now we gotta give a chance to believe
Got to be stronger than ever before
Nothing to fear if we stay united
We didn't choose to begin this war

The time is short, but I have no fear
The to move on, no matter what they do, no matter what they say
The time has come, time ti wake up.
It's up to us to believe
We've got the power now, the time has come.

Time
We can take control
Has come
Control our destiny


Canção do Tamoio - Ou, por que os cachorros latem e não mordem

12 dezembro 2012
"Não chores meu filho, não chores,
Que a vida é luta renhida, viver é lutar
A vida é combate
Que os fracos abate e 
que aos fortes e aos bravos
só pode exaltar" (Antonio Gonçalves Dias)

Quando prestei o serviço militar, no ano de 1979, fui designado para servir no 2º Batalhão de Guardas, onde fui treinado para ser um soldado da Infantaria. Tive o privilégio de ser corneteiro e, por causa disso, ficava mais perto do comando do que qualquer outro praça.

Já contei aqui várias histórias desse tempo e hoje quero compartilhar o sentimento de ser um guerreiro.

Antes de iniciar meus treinamentos no quartel, um outro caminho havia iniciado desde a minha infância: o Caminho Marcial. Comecei, aos 8 anos de idade, a treinar Judo e, depois de ter me mudado para São Paulo, conheci o Aikido. Aikido é uma arte marcial? Não, não é, apesar de ser derivado do Aiki Ju-jutsu. Aikido é um caminho marcial, uma filosofia de vida, que usa uma técnica para reeducação global do indivíduo. Somente depois de muitos anos estudando a teoria e a prática do Aikido é que o praticante pode realmente compreender a grandiosidade desse ensinamento de Morihei Ueshiba que explica a essência de todas as técnicas da arte, ou seja, o Kokyu, a alternância entre os contrários e a consequente harmonia que ocorre quando duas energias vibratórias se encontram, transformando-se numa só, também pulsante.

Tendo esse pensamento em mente e voltando no tempo de caserna, quero lembrar a primeira impressão que tive e que hoje entendo ser a expressão da raiva dos poderosos!

Fui recebido pelo então Tenente Silveira, um oficial de carreira, chefe da Segunda Seção do Batalhão, que me levou para fazer um teste na sala da banda (já contei isso aqui no primeiro post da série).
Percebi em seu rosto uma dureza. Dureza que me pareceu raiva. Ele carregava em sua face aquela expressão de "cachorro que quer te morder". Parecia que vivia preso à uma coleira e, assim que o dono o soltasse, ele pegaria pelo pescoço o primeiro que passasse diante dele. E essa expressão não mudava nunca. Nunca o vi sorrir. Sempre fazia as mesmas perguntas como a esperar que alguém caísse em contradição e ele pudesse "atacar"!

Essa é a expressão dos derrotados. Sim, podem até ser guerreiros, mas são guerreiros já derrotados, que lutam com os vitoriosos pelo poder que pensam que tem!

Transportando para os dias de hoje, podemos ver na oposição ao governo democrático em nosso país, as expressões acima descritas, reproduzidas em textos na mídia corporativa, em discursos de ódio aos avanços, pequenos ainda, mas iniciados no governo Lula e em andamento na atual administração.

Essas expressões demonstram o desespero daqueles que morrem de medo de perder o que tem. E o que tem? Eles tem a ilusão de que podem tudo, compram bens materiais, favores, amizades e o mundo, mas não compram a felicidade de uma vida simples e  o amor verdadeiro, aquele amor que dá tudo o que tem e segue o exemplo de simplicidade e pobreza de Jesus, Guandhi, Sidarta e muitos outros.

Podemos dizer que o mundo enfrenta uma guerra, e Marx classificou essa guerra como sendo uma luta entre as classes sociais. Sem entrar no mérito e sendo bem simples podemos dizer que o mundo sempre teve a formação, desde a história antiga, na Grécia, passando pela Época Medieval e chegando na Era Moderna, de uma divisão onde o poder é exercido por poucos e a força de trabalho exercida pela maioria. Isso gera uma desigualdade tamanha que deveria embrulhar o estômago de toda a humanidade (e na verdade embrulha o de muitos). Mas, como bem ilustrou Platão, somos condicionados e (mal) educados a viver como em uma caverna, sem ter a visão completa de toda a situação. Poucos são aqueles que se libertam da Matrix e compreendem que a humanidade vive hoje uma escravidão onde um punhado de poderosos controla o mundo pelo poder econômico e político.

Mas afinal o que é ser um guerreiro?

O caminho marcial tem um nome em japonês: bushidô. Ele é um código de honra não-escrito que rege a conduta dos samurais. Reunindo princípios do xintoísmo, budismo e confucionismo, o bushidô enfatizava valores como bravura, justiça, lealdade, autocontrole e senso de gratidão. Para os samurais, aperfeiçoar-se no manejo da espada era uma forma de fortalecer o espírito e alcançar essas virtudes. 

Para o guia espiritual do Escritor Carlos Castañeda "um Guerreiro é um caçador. Calcula tudo. Isso é controle. Mas, uma vez terminado seus cálculos, ele age. Entrega-se. Isso é abandono. Um Guerreiro não é uma folha à mercê do vento. Ninguém pode empurrá-lo; ninguém pode obrigá-lo a fazer coisas contra si mesmo ou contra o que ele acha certo. Um Guerreiro está preparado para sobreviver, e ele sobrevive da melhor maneira possível. "Carlos Castañeda (Don Juan Matus)"

Para mim, alem de tudo isso, o guerreiro é um artista e a maior de todas as artes é aquela que nos leva a realizar a felicidade no espírito, pois essa felicidade dá força e intensidade a toda nossa vida, tem o dom de propagar-se aos que amamos e iluminar quem caminha ao nosso lado.

Um dos maiores guerreiros samurais, se não o maior, foi Miamoto Musashi. Além de ter sido um duelista imbatível, Musashi também se dedicou a outras artes, como a pintura, caligrafia e a escultura, e chegou a escrever livros sobre esgrima e estratégia.

No Livro dos Cinco Anéis ele deixou registradas essas palavras: 

"A estratégia não exige nenhuma postura espiritual diferente da normalidade. Tanto na luta quanto na vida cotidiana você deve mostrar determinação aliada a calma. Enfrente a situação relaxado mas sem precipitações, com o espírito calmo mas não preconcebido. E lembre, também, que o relaxamento da mente não implica o relaxamento do corpo; e nem a mente pode se relaxar tanto a ponto de se tornar entorpecida.
Não permita que seu espírito seja influenciado por seu corpo, e nem que seu corpo seja influenciado por seu 
espírito. Não deixe que seu espírito se eleve demais; não deixe que ele se abata demais. Um espírito elevado é um espírito fraco; um espírito abatido é um espírito fraco. Não permita que o inimigo perceba seu espírito. As pessoas pequenas têm que se familiarizar completamente com o espírito das pessoas grandes, e as pessoas grandes com o espírito das pessoas pequenas. Seja qual for o seu tamanho, não se permita iludir com as reações do seu próprio corpo. Com o espírito aberto e livre, encare as coisas de um ponto de vista alto. É imprescindível cultivar a sabedoria e o espírito. Refine sua sabedoria: adquira mais conhecimentos sobre a justiça pública, aprenda a distinguir entre o bem e o mal, estude os Caminhos das diferentes artes, uma a uma. Quando não mais puder ser iludido pelos homens, você terá atingido a sabedoria da estratégia.                    A sabedoria da estratégia é diferente de tudo o mais. No campo de batalha, mesmo nas situações mais difíceis, aprofunde-se incessantemente nos princípios da estratégia para que seu espírito se torne cada vez mais forte."

Em meio à tempestade, à tormenta, aos ataques, o guerreiro sabe manter a calma e usar as energias negativas lançadas contra ele. Transforma tudo em coisa nova, vibrante, forte. E não guarda para si mesmo. Compartilha.

Compartilho com aqueles que chegaram até aqui meu sentimento de vitória. Sim. Mesmo sendo atacados por forças contrárias aos nossos objetivos e sonhos, somo vitoriosos pois temos a paz e a alegria de enfrentar esses "cachorros loucos", medrosos escondidos atrás de suas máscaras medonhas.
Não nos enganemos: eles é que tem medo de nós e por isso latem, rosnam, soltam fogo pelas narinas, mas não podem fazer nada contra a paz que existe em nosso interior.

E digo mais: podem vir, pois é dentro da tempestade que me sinto bem. É dentro da tormenta, da ventania, da batalha, que tenho a certeza de que estou fazendo bem, e muito bem, o meu papel. O universo me deu uma missão, e missão dada é missão cumprida!

Para inspirar aqueles que estão sem forças, transcrevo abaixo a letra e o vídeo da música Stormy high, da banda Black Mountain.


Whoaaah

The witch is on your trail, my lord
Stormy stormy high
You've been dying to be set free
Oh curse those honeyed hands

Whoaaah

It wasn't the doctors that finished the pills
He wants the ones that don't crack
But they're dangerous like barbed wire ties
Oh stormy stormy minds

Well, oh, it wasn't us, though, that torched to flames
The fried daughters of oh, no oh
Well you've been up since the last ???
You've been up for so long
Ohhhhh

Stormy stormy high